Pular navegação e ir direto para o conteúdo

Fale com a Redação

Seg, 30/04/2012 às 23:06 | Atualizado em: 02/05/2012 às 08:22

Muriçocas: Moradores de Salvador convivem com hóspedes indesejadas

Bárbara Silveira

Você:


Seu Amigo:


Para enviar para outro(s) amigo(s), separe os e-mails com ","(vírgula).

Ex.: nome@exemplo.com.br, nome@exemplo.com.br

Máximo 200 caracteres


(*) Todos os campos são obrigatórios

Reportar Erro:

Para reportar erros nos textos das matérias publicadas pelo A TARDE preencha os dados abaixo e clique em Enviar

Máximo 200 caracteres

(*) Todos os campos são obrigatórios

-A A+
  • Fotos: Vaner Casaes / Ag. A TARDE

    Canal em Itapuã é criatório de muriçocas - Foto: Fotos: Vaner Casaes / Ag. A TARDE

    Canal em Itapuã é criatório de muriçocas

O barulhinho insuportável das muriçocas não deixa Arlete Azevedo e seu sobrinho, Israel Azevedo, moradores do bairro de Itapuã, dormirem bem há um bom tempo. O mesmo acontece com Gabriela Valois e o pequeno Alexandre, de 2 anos, moradores do bairro de Vila Laura. Gabriela, Israel e outros leitores de diversos bairros de Salvador, nas últimas semanas, postaram reclamações através do Reclame Aqui do blog Cidadão Repórter, do A TARDE On Line. Segundo o relato dos leitores, as muriçocas estão proliferando assustadoramente e a população já não sabe o que fazer para combater os insetos.

De acordo com o professor de biologia da Universidade Estadual da Bahia (Uneb), Artur Dias Lima, a muriçoca, também conhecida como pernilongo, mosquito ou cabeça de prego é o inseto mais conhecido pelos brasileiros, estando presente na maioria dos domicílios, para a tristeza dos seus moradores. Elas podem ser facilmente encontradas em locais com água parada, onde matéria orgânica e lixo possam ser encontrados, como canais de esgoto e rios poluídos ou até mesmo em poças de água, pneus, ralos, entre outros. O mosquito precisa da água para se reproduzir.

“Elas depositam as suas larvas na água, e na época do verão, no período de 8 a 12 dias, essas larvas se transformam em cerca de 100 novos pernilongos”, explica. O período de duração da etapa de larva até o mosquito varia de acordo com a estação do ano, isso porque a temperatura interfere diretamente no ciclo de reprodução do mosquito, “No inverno esse ciclo pode aumentar para de 12 a 20 dias”, conta o pesquisador.

Locais como o canal do bairro de Itapuã, que passa próximo à casa de Israel e de dona Arlete são criatórios perfeitos para as muriçocas. Segundo Israel, por conta da quantidade de pernilongos, praticar atividades como ler, estudar ou até mesmo assistir televisão durante à noite viraram uma missão quase que impossível. “É simplesmente insuportável, o que era coisa de período tornou-se constante”, lamenta o estudante.

Incômodos - Além de atrapalhar nas atividades rotineiras, a presença das muriçocas pode afetar diretamente a saúde das pessoas. A picada do inseto pode transmitir doenças como a elefantíase, onde os membros incham em proporções exorbitantes. “Apesar de serem raríssimos os casos, a muriçoca que picar uma pessoa infectada pela doença, adquire o parasita e pode contaminar outras pessoas”, afirma o biólogo Artur Dias.

O mesmo acontece com a transmissão do parasita dirofilaria, encontrado em cães e gatos. “O processo de infectação é o mesmo da elefantíase, porém, nesse caso, o animal infectado transmite a doença para humanos através do pernilongo, causando a obstrução de vasos do coração ou até o alojamento nos pulmões”, explica o especialista.

Os danos mais frequentes causados pelas picadas de muriçoca são os famosos calombos avermelhados e a temida coceira. De acordo com a dermatologista Ana Cristina Guerra de Oliveira, quem tem alergia, sofre ainda mais com as picadas. “ Nesses casos, a pessoa pode ficar com uma grande bolha e com uma coceira bem forte, caso seja coçado, o contato do ferimento com as unhas sujas podem causar infecções, onde o uso de antibióticos é necessário”, adverte.

Nos casos de alergia, a médica recomenda que um especialista seja procurado para indicar o melhor remédio para diminuir a coceira e controlar as bolhas. Mas engana-se quem pensa que a ausência da alergia anula o sofrimento. Quem não tem alergia às picadas, costuma apresentar uma pequena bolha vermelha que vem acompanhada de bastante coceira. “Como nesses casos o uso de medicamentos não é indicado, é importante que a pessoa controle o impulso de coçar, evitando assim que a bolha se torne um ferimento e cause manchas na pele”. Para aliviar a coceira, a especialista recomenda o uso da compressas de água gelada.

As manchas na pele, herança deixada pelas famigeradas picadas, tem maior incidência em pessoas de pele negra, por conta do acúmulo de melanina, explica a dra. Ana Cristina. “A melanina se acumula na cicatrização, causando o escurecimento da pele. Porém, não é necessário se preocupar, as manchas saem sozinhas ao longo do tempo, pois o organismo se encarrega de retirar o acúmulo de melanina em um local específico”.

Caso a mancha não saia com o tempo, a dermatologista recomenda que o paciente procure um especialista, que pode adotar o clareamento de manchas com técnica laser.

Fatores - A ação predatória do homem tem contribuído para o aumento das muriçocas que tanto atrapalham as noites de sono dos soteropolitanos. Segundo o biólogo Artur Dias, um somatório de fatores criados diretamente pela ação do homem interferem no equilíbrio ambiental e na proliferação dos mosquitos: ”O desmatamento pode ser considerado um dos principais motivos dessa infestação, com a destruição do habitat desses insetos, os predadores naturais dessa espécie, como morcegos e aranhas são extintos, fazendo a população de muriçocas aumentar e migrar para cada vez mais próximo das pessoas”.

A falta de saneamento básico adequado também é apontado pelo pesquisador como uma das causas do aumento da incidência dos insetos. Segundo ele, águas poluídas são ótimos para a reprodução da muriçoca, pois nestes locais, os peixes, que são predadores naturais das larvas de muriçoca, não existem mais, aumentando a procriação do inseto.

Soluções - Para tentar solucionar o problema, de acordo com a Secretaria Municipal da Saúde, o Centro de Controle de Zoonoses vem estudando a possibilidade do uso de um larvicida biológico, que cause menos impacto ao meio ambiente.

Antes, o combate ao inseto era feito através do Fumacê, porém, este mecanismo deve ser usado estritamente em casos de epidemias de dengue e/ou febre amarela, como forma complementar às ações de combate ao potencial transmissor destas doenças, o Aedes aegypti.

A secretaria explica que o uso sem critério do fumacê impacta o meio ambiente, causando mortes dos insetos polinizadores, tais como abelhas, vespas e borboletas, além dos predadores naturais que exercem a função de controladores das populações de vetores.

O professor Artur Dias, pesquisador na Uneb, também esclarece que o uso do fumacê, além de impactar no equilíbrio do meio ambiente, não serve para exterminar os insetos. “O fumacê só mata parte dos insetos adultos, que estão voando na área, as larvas e pupas estão lá na água vivinhas“.

A limpeza de córregos e canais da cidade também pode auxiliar na diminuição do mosquito. De acordo com a Superintendência de Conservação e Obras Públicas de Salvador (Sucop), a autarquia já está trabalhando em diversos canais da cidade e os técnicos da prefeitura estão fazendo o levantamento de outros rios e canais da cidade para que possam dar seguimento ao cronograma de trabalho de limpeza. A Sucop informou ainda que o canal de Itapuã, que passa próximo a casa de Israel também será limpo.

A Empresa de Limpeza Urbana do Salvador (Limpurb), responsável pela limpeza da área externa dos canais da cidade,  informou que serviços de capinação e roçagem no canal de Itapuã foram realizados no último dia 10 de abril.

Amenizando o problema - Ações simples podem ajudar a amenizar a presença das muriçocas. De acordo com Artur Dias, esses são insetos com hábitos crepusculares, ou seja, começam o seu expediente diário de azucrinação ao entardecer e terminam ao amanhecer. “Esses animais se orientam pelos raios solares, ao entardecer, os raios mudam, indicando que é hora de se alimentar. O processo inverso acontece com o nascer do sol, que indica que é hora de repouso”, brinca o biólogo.

Por conta disso, manter portas e janelas fechadas no período de 17h às 21h podem impedir a entrada das muriçocas. O que poucas pessoas sabem é que superfícies escuras como sofás, tela de televisão ou qualquer outro objeto escuro atraem as muriçocas. “O animal se sente atraído pela cor e tende a se concentrar onde ela seja encontrada com mais facilidade”, explica.

O pesquisador dá uma boa dica para quem quer fugir dos repelentes industrializados, a vela de andiroba, e óleo de citronela, que são repelentes naturais contra o inseto.

Reclame - O cidadão que se sentir incomodado com a presença das muriçocas pode solicitar a presença de agentes de endemia no seu bairro através do telefone 3611-7309 (CCZ), ou através do Disque Saúde 160, para avaliação.

Você sabia? Cada fêmea de muriçoca tem em média 1 mês de vida e a cada cinco ou sete dias, ela coloca cerca de 250 a 400 ovos. Esse ciclo pode acontecer de 4 a 5 vezes durante a sua vida. Caso uma fêmea tenha 6 ciclos de 400 ovos, no fim da sua vida, ela nos terá deixando uma herança de dois mil e quatrocentos novos pernilongos.

Serviço:
Agende a visita de um agente de endemias
Disque Saúde: 160
Centro de Controle de Zoonoses: 3611-7309

comentários(0)
  • comentar

    Esqueceu sua senha?

    Digite aqui seu e-mail

    Esqueceu seu login e/ou senha?

AVISO: O conteúdo de cada comentário é de única e exclusiva responsabilidade do autor da mensagem.

outras notícias

14/09/2014 às 12:59

Av. Paralela tem trânsito intenso por conta do Salvador Fest - Foto: Google Maps | Reprodução

Av. Paralela tem trânsito intenso por conta do Salvador Fest

18/08/2014 às 07:00

Novo viaduto do Imbuí vai facilitar acesso ao centro - Foto: Joá Souza | Ag. A TARDE

Novo viaduto do Imbuí vai facilitar acesso ao centro

10/07/2014 às 09:20

Ucsal inscreve em curso de extensão em inglês

Estão abertas até 4 de agosto as inscrições para o curso...

18/09/2014 às 17:33

Dique do Tororó receberá 5 mil peixes nesta sexta-feira - Foto: Joá Souza | Ag. A TARDE

Dique do Tororó receberá 5 mil peixes nesta sexta-feira

< >

Imprimir

imagem

Antes de imprimir lembre-se da sua responsabilidade e comprometimento com o meio ambiente.

Se preferir, envie por e-mail ou gere um arquivo em .pdf

Deseja realmente imprimir? nãosim

Botão Fechar
Copyright © 1997 - Grupo A TARDE.Todos os direitos reservados.
Rua Prof. Milton Cayres de Brito n° 204 - Caminho das Árvores - Salvador/BA. CEP: 41.820 - 570 Tel.: ( 71 ) 3340 - 8500 | Redação: ( 71 ) 3340 - 8800
últimas notícias