Ter , 28/08/2012 às 00:12 | Atualizado em: 28/08/2012 às 00:12
*Hieros Vasconcelos Rego
O "afródromo", como será chamado o possível quarto circuito da festa momesca para o desfile de afoxés e blocos afros, no Comércio, deve ter suas estruturas montadas já no Carnaval de 2013 para receber 140 mil foliões, destes, 20 mil em arquibancadas. Fruto de uma parceria entre a Pilar Produções e a Liga dos Blocos Afros, o projeto, além de ter sido recebido de forma positiva pela Prefeitura de Salvador e órgãos estaduais e federais, já tem o apoio de grandes marcas e estudos que estimam a geração de 25 mil empregos diretos e indiretos. O novo circuito movimentaria ainda R$ 120 milhões e uma receita de tributos para o Estado da Bahia de cerca de R$ 7 milhões.
O estudo preliminar foi realizado pela empresa Hoffing, contratada pela parceria entre a Pilar e a Liga, composta pelo Malê Debalê, Timbalada, Muzenza, Cortejo Afro, Ilê Aiyê, Carlinhos Brown e Afoxé Filhos de Gandhi. Nesta segunda, 27, Brown e o vice-presidente do Malê Debalê, Miguel Arcanjo, estiveram no Jornal A TARDE para apresentar o projeto e mostraram entusiasmo com o que chamam de "recondução da questão cultural, no Carnaval, com o foco afro". "Acreditamos que isso não separa, e sim avança. Precisamos acabar com a dicotomia de que o Carnaval é problemático porque não valoriza suas matrizes", disse Brown.
O afródromo será um espaço cultural em uma área delimitada pelo Mercado Modelo e a Feira de São Joaquim. As arquibancadas serão montadas na Avenida da França, e os trios retornarão pela Avenida Estados Unidos. As transversais servirão de apoio, com banheiros, torres de controle, espaço VIP, parque para crianças.
Segundo Brown, o afródromo foi desenvolvido para ser um projeto inovador. No desfile, as marcas serão publicizadas com projetores nas paredes da Codeba para não poluir visualmente a festa. A entrada será feita por catracas e detectores de metal, torres de controle irão monitorar com câmeras pelo circuito e cada bloco terá apenas um trio, sem o carro de apoio.
"Além de utilizar tecnologia de ponta, terá mais segurança sem abusar do trabalho dos policiais militares. O circuito dá uma volta nesse trecho do Comércio. Não causa engarrafamento e tem hora pra começar e terminar", destaca o músico. O vice-presidente do Malê, Miguel Arcanjo, lembra ainda o potencial cultural e artístico do projeto. "Haverá espaço para pregar a diversidade. Para fazer uma festa bonita visualmente, sem poluição, com direito as cores e belezas que já existem nas fantasias", explica.
O secretário de Cultura do Estado, Albino Rubim, vê o afródromo como algo positivo. "Vai ser um elemento a mais. Não vai contra o que existe, só acrescenta", opina.
Dúvidas - Doutor em comunicação e cultura contemporânea, o professor da Ufba Paulo Miguez acha a iniciativa interessante, mas teme a participação da prefeitura. "A prefeitura não tem sido uma instituição que enfrente os grandes problemas do Carnaval", afirma. Para Miguez, o Carnaval, em Salvador, não é visto como patrimônio imaterial. "Não existem políticas culturais. Ele é visto como mercado. Não incorpora a totalidade dos atores da festa e o Conselho Municipal do Carnaval é incapaz de fazer. Além, claro do desequilíbrio entre o espaço público e o privado", diz.
*Colaborou Helga Cirino
Embora o projeto esteja com meio caminho andado, o presidente do Conselho Municipal do Carnaval, Pedro Costa, afirma que nenhum órgão da prefeitura o procurou ou enviou material que detalhe o afródromo. “Nós não recebemos nada da prefeitura. Acho que, antes de tudo, é preciso revitalizar os circuitos existentes”, disse. No entanto, no dia 21 deste mês, ocorreu uma reunião no gabinete do prefeito João Henrique para apresentação do projeto, e o Concar teria sido convidado, segundo garantem integrantes da Liga dos Blocos Afro.
Procurado pela equipe de reportagem insistentemente, o presidente da Salvador Turismo, Jonga Cunha, não foi encontrado para explicar o porquê de não ter conversado com o Concar.
Contra - A União de Afoxés, Afros, Reggaes e Samba do Estado da Bahia (Unafres), que representa 76 instituições, afirma que não foi procurada para discutir o projeto. O presidente da União, Gilsoney de Oliveira, afirma que a Liga dos Blocos Afro não representam todos os blocos afro e afoxés, que, ao todo, somam 140 em Salvador. “Me parece um interesse privado”, diz.
diadorim moraes, 28/08/2012 às 14:25
"A ideia é ofensiva. Demonstra, na melhor das hipóteses, a incapacidade de democratizar o carnaval de Salvador em face aos interesses de grupos econômicos. Os blocos afros sempre incomodaram esses interesses e a solução foi convencê-los a sair do circuito oficial, oferecendo um "novo/exclusivo".
diadorim moraes, 28/08/2012 às 14:18
Nada mais conveniente: os camarotes ficarão livres dessa "aporrinhação". Já que o espaço está pouco para Ivete e Brown venderem cerveja, a criação de mais um circuito não poderia servir a todos?
Leo Dias, 28/08/2012 às 12:52
Quem vai ocupar o espaço vazio na programação do Centro? Entretanto, acho importante fomentar um circuito sem trio elétrico no Rio Vermelho, sem muito dedão do estado. O carnaval precisa de um espaço livre para novas experiências e o Rio Vermelho já vem sendo o celeiro criativo da cidade.
ivonildo da cruz pita, 28/08/2012 às 10:52
olha não seria uma má ideia se colocassem o carnaval subdividido em três partes, paralela, comercio , barra e centro da cidade.
Ramiro soares, 28/08/2012 às 08:51
A ideia parece ser muito boa. Projetos independentes e descentralizados são uma via importante para o Carnaval de Salvador. A mobilização de uma setor, mesmo pequeno, só contribui para a festa. Seria uma grande utilidade para a região do Porto de Salvador, obsoleta no período do Carnaval.
Marcelo Prado, 28/08/2012 às 08:34
Espero que esse espaço no comércio sirva também para outros eventos , como a arrancada de velocidade que já teve à alguns anos atras e parou.
Zeilton Pinto, 28/08/2012 às 07:47
A ideia é brilhante contudo, a denominação por si é segregadora. Me deixei, viu!
Fábio Silva, 28/08/2012 às 05:28
Isso será mais uma palhaçada no já caótico trânsito de Salvador. Quem quiser chegar no Campo Grande e na Barra fará como? Terá que ir pela esburacada San Martin. E o trânsito da calçada que já engarrafa todos os dias mesmo sem fila de ferry boat como ficará. Vocês estão querendo é travar a cidade +
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wellington nery, 29/08/2012 às 16:47
seria mais uma forma de separar os brancos dos negros,visto q os blocos afros 99% participam os negros...sera defasado em tudo,supongo!