Defeitos tiram composições das linhas e deixam outras lotadas
Entre 6h e 20h30, pelo menos 15 mil soteropolitanos utilizam os trens que cortam o subúrbio ferroviário de Salvador para ir da Calçada até Paripe todos os dias.
Os 15 quilômetros do trajeto são realizados, em média, em 40 minutos, ao custo de módicos R$ 0,50. Mas nem tudo são flores.
O sistema, que possui quatro trens, funciona normalmente com dois, com um terceiro que fica na reserva. "Às vezes, o trem demora mais de 40 minutos, e só sai lotado", reclama o gari Mário Barbosa de Souza, 60 anos.
Segundo Mário, não é incomum os trens quebrarem no caminho. "Chegam até a nos dar o dinheiro de volta, e pegamos um ônibus; bem mais caro", critica o gari.
A Companhia de Transportes da Bahia (CTB), empresa ligada à Secretaria Estadual de Desenvolvimento Urbano (Sedur), que assumiu o controle do sistema em 2013, tem projeto para requalificar o trecho e estendê-lo até o Comércio (leia nesta página).
O repositor Gilmar Silva de Lima, 53, que estava ao lado de Mário de Souza aguardando o trem do meio-dia na última quinta-feira, completou: "Quando chove, nem conte com o trem".
Neste dia, o trem chegou pontualmente e logo partiu em direção a Paripe. Mas, antes de embarcar, um passageiro sinalizou para um perigo avistado: a distância de, pelo menos, 50 centímetros entre a plataforma e o vagão. "Uma pessoa distraída pode cair aí", disse. Em seguida, brincou: "Bêbado não pode andar de trem".
Dentro do vagão, o calor era quase insuportável. "Existe um trem com ar-condicionado que está parado há muito tempo", afirmou a dona de casa e técnica em turismo Rita Clarice de Jesus Santana, 52.
Enquanto o veículo estava parado, ela e outros passageiros logo tiraram das bolsas e sacolas algo para se abanar, movimento frenético que só findou quando o trem começou a se deslocar e uma leve corrente de ar entrou pelas janelas.
Rita Clarice também se queixou da falta de limpeza: "Os vagões estão quase sempre sujo". Mas ela acredita que a maioria das pessoas ainda anda neles por conta do baixo preço do bilhete e por ser um meio de transporte mais rápido que os ônibus.
"Como o trem não pega engarrafamento, eu vou da Calçada até Periperi, onde moro, em 30 minutos", disse.
Na linha
No percurso até Paripe, é comum ver pessoas caminhando próximo às linhas férreas. Elas fazem travessias perigosas entre um lado e outro, muitas a caminho da praia. Casas também foram construídas perto dos trilhos.
Na vizinhança da estação de Periperi, a situação se repete. "Moro aqui há 30 anos e já tive conhecimento de muitos acidentes", disse a professora Cláudia Dórea, enquanto saía da praia, passando por um dos caminhos que cruzam a linha férrea.