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Qua, 22/06/2016 às 08:33

"Deve ser normal que as mulheres façam tudo que queiram"

João Paulo Barreto | Especial para A TARDE

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  • Eliana Rodrigues | Divulgação

    No drama 'Agnus Dei', a jovem atriz Lou de Laâge vive Mathilde, uma enfermeira do exército francês - Foto: Eliana Rodrigues | Divulgação

    No drama 'Agnus Dei', a jovem atriz Lou de Laâge vive Mathilde, uma enfermeira do exército francês

Em um dos filmes selecionados para a edição desse ano, o Festival Varilux de Cinema Francês,  em cartaz no Espaço Itaú Glauber Rocha e nas salasdearte Cinema do Museu e Paseo, conseguiu ser bastante preciso com o atual momento vivido pelo Brasil no que se refere à discussão da violência contra a mulher. No drama "Agnus Dei", a jovem atriz francesa Lou de Laâge vive Mathilde, uma enfermeira do exército francês que, durante a Segunda Guerra Mundial, acompanha freiras grávidas vitimas de estupros coletivos cometidos por soldados russos. É uma obra que, apesar de se passar em 1945, apresenta um tema relevante e voltado para algo que, infelizmente, mesmo em 2016, acontece com frequência no Brasil e em outros países. Sobre a importância da discussão acerca da violência contra a mulher, bem como a experiência de se filmar uma história baseada em fatos reais e rodada quase que inteiramente em um convento polonês, a atriz, que esteve no Brasil para o lançamento no festival, conversou com A TARDE sobre este e outros assuntos, no Rio de Janeiro.

Há uma discussão trazida pelo "Agnus Dei" que coincide com um momento chocante vivido pelo Brasil recentemente, quando um grupo de 30 homens estuprou uma jovem de 16 anos no Rio de Janeiro.

Eu concordo que precisamos falar disso. E esse filme, mesmo trazendo uma história que acontece na época da Segunda Guerra, trata de um tema atemporal. Infelizmente, os estupros sempre existiram e vão continuar a existir. É usado pelos homens, principalmente como vemos no longa, como uma arma para provar que se tem um certo poder. No entanto, algo que me agrada é que a obra não fala unicamente sobre o estupro, ela fala sobre o modo como uma pessoa se reconstrói depois disso.

Em Cannes, no mês passado, mulheres tiraram os sapatos altos como forma de protestar contra a obrigatoriedade deste tipo de acessório no evento. Para você, qual a importância do posicionamento engajado de uma artista? Esse ano, inclusive, vários filmes do Festival Varilux têm mulheres como diretoras.

Para mim, o que deve ser normal é que as mulheres façam tudo o que elas queiram. Claro, não dá para esquecer que se trata de uma luta, que as mulheres vêm batalhando há muito tempo para ocupar uma posição de igualdade em relação aos homens. Mas é importante, também, não exagerar no tratamento disso. Quando uma mulher faz uma coisa, deve ser normal que ela faça. Não precisa tanto exagero para falar disso. Eu acho que se tiver muita ação nesse sentido, isso recoloca a mulher numa posição diferente, e não de igualdade.

Em relação ao filme, com uma parte do elenco francesa e outra polonesa, como foi feito o trabalho de pesquisa e preparação das atrizes?

Quando eu cheguei ao projeto, ele já estava bastante adiantado. Para mim, a primeira coisa a ser feita para conhecer melhor a minha personagem era aprender sua profissão. Mathilde era uma mulher sempre muito ativa, sempre em ação. Então, para isso, eu tinha que conhecer essa ação. Optei por uma preparação junto a uma parteira e um médico. Ensaiamos dentro de um convento com as atrizes, o que é curioso, já que ensaios não acontecem tanto no cinema. Isso ajudou muito a criar um universo comum com as outras atrizes. E eu estava na mesma situação que a personagem. Do mesmo modo que ela, eu não falo polonês. E todas as atrizes eram da Polônia. Do mesmo modo que Mathilde, eu tinha que me introduzir neste grupo de mulheres, mas de uma maneira suave.  E, claro, a experiência de ficar na Polônia por dois meses em um convento com todas as atrizes vestidas de freira, isso ajudou bastante a nos colocar naquele ambiente (risos).

Sua personagem não possui religião no filme. Qual é a sua postura em relação a esse assunto?

Eu penso que o ato de acreditar seja algo obrigatório na vida, mas não necessariamente precise ter alguma coisa a ver com religião. Isso pode passar por diversos outros caminhos que não sejam o da religião. A minha personagem no filme, por exemplo, ela não é religiosa. No entanto, é o trabalho que faz com que ela acredite. A crença dela é o trabalho.

Ela tem uma espécie de liturgia na profissão.

Sim, é por isso que para mim, no fim das contas, as freiras e a Mathilde têm um mesmo objetivo. Elas simplesmente vão por caminhos diferentes, mas o destino é o mesmo. A Mathilde fica mais na ação e as freiras na contemplação, na espiritualidade.

Quais são seus próximos projetos no cinema?

Na verdade, eu farei uma pausa no cinema para me dedicar ao teatro. A própria Melanie Laurent irá dirigir. Será sua estreia nos palcos e estou bem feliz pelo convite. O texto é uma adaptação de um romance de James Frey, "O Último Testamento de Ben Zion Avrohom". Para mim, é uma satisfação voltar ao teatro. É lá que a gente continua sempre buscando.


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