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Ter, 01/11/2016 às 07:39 | Atualizado em: 31/10/2016 às 20:12

Bahia nas telas de São Paulo

Rafael Carvalho Especial para A TARDE

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  • Rodrigo Maia l Macaco Gordo l Divulgação

    Daniela Mercury no documentário Axé: Canto do Povo de um Lugar - Foto: Rodrigo Maia l Macaco Gordo l Divulgação

    Daniela Mercury no documentário Axé: Canto do Povo de um Lugar

A produção recente do cinema baiano ganhou espaço entre as discussões promovidas pela 40ª Mostra Internacional de Cinema de São Paulo, que começou no dia 20 de outubro e termina amanhã. Entre os destaques, o filme Axé: Canto do Povo de um Lugar, que estreou no circuito dos festivais. O  evento também prestou homenagem ao grande ator baiano Antonio Pitanga.

O documentário Axé: Canto do Povo de um Lugar, dirigido por Chico Kertész, é a celebração da musicalidade baiana mais popular. A história da axé music é contada desde seu nascimento até os dias atuais pelos cantores, músicos, compositores e produtores que a fizeram.

A sessão de estreia do filme contou com a presença dos diretores e produtores, e ainda das estrelas Daniela Mercury e Márcio Vitor, artistas entrevistados no filme. "Eu sou testemunha desses anos todos de axé music. Cada um tem um olhar sobre essa história. Mas essa que está no filme é muito parecida com a que está na minha cabeça, da forma como eu a enxergo", contou, emocionada, Daniela depois da sessão.

Saiba mais

Ela, que é considerada a Rainha do Axé, é figura importante central, pois passou a fazer sucesso fora da Bahia, sendo muito bem acolhida em São Paulo. Mas antes disso teve Luiz Caldas como o "primeiro filho do axé", como define Caetano Veloso em depoimento no filme, ele que se popularizou com o sucesso do hit Fricote.

Pluralidade de ritmos

O filme também destaca a importância dos blocos de matriz africana, com o protagonismo do Olodum (que chamou atenção de Michael Jackson e Paul Simon) e o Ilê-Ayê; os sucessos que marcaram a carreira de Sarajane e Banda Reflexu's; os estilos pessoais de bandas como o Chiclete com Banana e É o Tchan; até a aproximação com o pop de nomes como Ivete Sangalo e Claudia Leitte.

Axé: O Canto do Povo de um Lugar cumpre a função de sistematizar a cronologia da axé music a partir das mudanças e sofisticações que foram sendo incluídas naturalmente no seu processo de constituição como ritmo musical e como identidade baiana.

O filme nos oferece ainda uma riquíssima pesquisa de imagens de arquivo pouco conhecidas atualmente. "Esse foi um trabalho árduo, uma das coisas a que eu mais me dediquei. Tive que comprar aparelhos antigos para resgatar imagens de fitas de arquivos de televisão que não estavam digitalizados", revela o diretor Chico Kertész.

O filme deve ser lançado em Salvador em janeiro do próximo ano.

Questões de família

Filmes mais intimistas também marcaram a programação da Mostra SP. Um Casamento, de Mônica Simões, filia-se à onda de obras em que o cineasta revela aspectos de sua vida pessoal.

Trata-se de um documentário em que a diretora propõe à sua mãe, Maria Moniz, que ela reconte a história do seu casamento quando ela era ainda muito nova na provinciana e moralista Salvador dos anos 1950.

"Tudo começa no ano 2000, quando vi, pela primeira vez, o filme do casamento dos meus pais. Foi um grande impacto. Os efeitos do tempo na película tinham transformado o filme em uma outra coisa, uma obra plástica", revela a cineasta.

A partir daí, a filha busca coletar o máximo de informações e sentimentos da mãe, num processo muito afetivo e memoralístico que não deixa de revelar os códigos morais da época a partir de uma história tão pessoal. O filme será exibido em Salvador durante o Panorama Internacional Coisa de Cinema, na mostra competitiva.

Também A Cidade do Futuro, do casal Marília Hughes e Cláudio Marques, teve sessão na Mostra SP. No sertão da Bahia, em Serra do Ramalho, três jovens desafiam as regras tácitas da sociedade interiorana. Mila, Gilmar e Igor são amigos que se aproximam de uma forma tão cúmplice e acabam formando uma família incomum, especialmente quando ela fica grávida.

"Serra do Ramalho foi projetada pelos militares para ser "a cidade do futuro" em termos de desenvolvimento. Mas o que encontramos lá foram os mesmos problemas de infra-estrutura, de desemprego e falta de oportunidades como várias cidades do interior da Bahia e do Nordeste", contou a dupla de diretores.

É através da trajetória incerta, mas corajosa e desafiadora, dos protagonistas que o filme busca revelar a força transgressora da juventude, ainda que sob olhares repressores da sociedade. De modo paralelo, é o mesmo tipo de ímpeto juvenil que carrega força política nas suas atitudes, algo visto com outros tons no filme anterior dos diretores, Depois da Chuva.

Rivalidade

O diretor baiano Sérgio Machado apresentou o divertido documentário A Luta do Século, resgatando nas telas a antiga rivalidade entre dois ícones do boxe nordestino: o baiano Reginaldo Holyfield e o pernambucano Luciano Todo Duro.

Eles já haviam se enfrentado seis vezes desde a primeira luta em 1993, com três vitórias para cada um. A disputa entre eles era tão séria que mesmo quando se encontravam fora dos ringues, durante reportagens e coletivas, os dois acabavam brigando - como é revelado em vários momentos resgatados pelo filme.

Mas além de contar essa história de animosidades, Sérgio Machado encontra os dois homens em decadência, longe do esporte. E propõe a eles um último confronto, a luta do século. O filme será exibido em Salvador durante o encerramento do Panorama Coisa de Cinema, no dia 16 de novembro.

Pitanga

O  ator Antonio Pitanga, homenageado na mostra, atuou em filmes emblemáticos do cinema baiano, como Barravento, de Glauber Rocha, A Grande Feira, de Roberto Pires, O Pagador de Promessas, de Anselmo Duarte, dentre muitos outros. E este ano foi homenageado pela Mostra para receber o prêmio Leon Cakoff.

"Nesse meu corpo, cheio de encontros e desencontros, tem a história do negro, tem um Glauber Rocha, um Nelson Pereira dos Santos, um Joaquim Pedro de Andrade, um Ruy Guerra", discursou o ator ao receber o prêmio.

Além de alguns filmes emblemáticos de sua carreira terem sido exibidos no evento, como A Grande Cidade, de Cacá Diegues, o ator foi agraciado com o documentário Pitanga, dirigido pelo cineasta Beto Brant e por sua filha Camila Pitanga.


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