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Sex, 28/10/2016 às 19:12

Elle é um dos filmes mais provocadores da Mostra SP

Rafael Carvalho | Especial para A TARDE

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    Cena de Elle com Isabelle Huppert - Foto: Divulgação

    Cena de Elle com Isabelle Huppert

Ninguém sai incólume de uma sessão de Elle, filme francês dirigido pelo respeitado diretor holandês Paul Verhoeven. Estrelando Isabelle Huppert, o filme já começa de modo chocante: a protagonista tem sua casa violada e é estuprada por um homem misterioso.

A personagem poderia se abalar tremendamente, sentir medo, raiva, nojo, desespero. Mas não, sua reação é de frieza e certa apatia. Ela é Michèle Leblanc, a diretora de uma empresa de desenvolvimento de jogos. Tem personalidade forte, dona de si e independente, não deve nada a ninguém; aos poucos vai revelando atitudes rudes e impositivas, dura como uma rocha.

O que se segue é a continuidade de sua rotina ao lidar, sempre com imposição, com pessoas próximas: sua viúva mãe apaixonada por um jovem garoto de programa, o filho ingênuo que vai se casar com a namorada grávida, o ex-marido carente, os amigos mais próximos do trabalho, alguns desafetos também. Na medida em que ela continua sendo assediada pelo homem desconhecido que a atacou, Michèle busca descobrir sua identidade, sem receio de enfrentá-lo.

Paul Verhoeven, como de hábito, faz um filme provocador que coloca o espectador em xeque pela maneira fria com que Michèle lida com a situação. E principalmente pela forma como ela trata a todos ao redor, um misto de prepotência e autocontrole. É sem dúvida uma das personagens femininas mais fortes e complexas do cinema contemporâneo, que encontra em Huppert uma intérprete ideal.

É incrível que, com personagem tão dura em situação tão violenta a que ela é exposta já na primeira cena do filme, Verhoeven consegue mesmo extrair humor de várias situações. Mas são as atitudes da protagonista e o desenrolar dos fatos que fazem o filme caminhar para a perversão mais doentia e impensável. É um filme para se amar ou odiar. Previsão de estreia é para o dia 17 de novembro.

Estados de poesia

A pulsão da poesia é tema de dois filmes muito diferentes entre si que compõem a programação da Mostra SP: de um lado Paterson, dirigido pelo norte-americano Jim Jarmusch, e sua poética do cotidiano; e do outro Poesia sem Fim, do mestre chileno Alejandro Jodorowsky, com sua verve psicodélica e surreal.

São como pólos opostos em abordagem, mas muito interessantes de serem pensados em paralelo. O filme de Jarmusch é um retorno do diretor às histórias mais intimistas (como Estranhos no Paraíso, clássico que será exibido no Panorama Internacional Coisa de Cinema em novembro).

Na trama, Paterson (Adam Driver) vive um motorista de ônibus de uma pequena cidade norte-americana que escreve poesias nas horas vagas. Vive sua rotina sempre na mesma. Casado com uma bela mulher, tem poucos amigos e se alimenta cada vez mais da simplicidade do mundo ao redor para criar seus versos. Trata-se de um filme melancólico e singelo, nunca apelativo ou excessivamente lírico, que cativa pela forma com que nos faz se identificar com um protagonista tão singular.

Já o filme Jodorowsky é um apelo ao impulso criativo do poeta maldito, irrequieto, num filme bastante autobiográfico. Acompanha as desventuras desse alter-ego do diretor (interpretado por seu próprio filho, Adan Jodorowsky) que recusa as investidas da família, que o queriam advogado, para se dedicar à poesia.

O filme é como uma continuação do longa anterior do cineasta, A Dança da Realidade, que tinha essa mesma proposta (mas com foco na sua infância). Aqui, o protagonista conhece a vida boêmia do Chile da década de 1940 e mergulha fundo na arte, na psicodelia e na liberdade do espírito. Uma pena que a proposta se torne logo cansativa e excessiva, com o diretor querendo gritar a todo instante como a poesia faz parte de sua essência como artista.

Humanismo revisitado

Também chegou à Mostra SP o mais novo filme dos incensados irmãos Dardennes, A Garota Desconhecida. Porém, esse é certamente um dos filmes mais frágeis dos irmãos belgas, eles que são donos de obras-primas anteriores como A Criança e Rosetta.

Aqui, acompanhamos a história de uma jovem médica recém formada, Jenny (Adèle Haenel), que começa a atender em um novo consultório. Certo dia, já terminado o expediente, uma mulher toca a campaninha da clínica, mas ela não atende. No dia seguinte, descobre-se a jovem desconhecida morta.

Inconformada e sentindo-se culpada por não a ter acolhido, Jenny tenta descobrir a identidade dela. É o mote ideal para que os cineastas exercitem o humanismo a que eles estão tão atrelados, sempre em busca do realismo social com sua câmera nervosa na mão, buscando o máximo de naturalismo possível.

As situações vão se desdobrando com interesse, e os segredos dos personagens vão vindo à tona, mas as fragilidades do roteiro não deixam de revelar como esse pode ser um dos filmes mais preguiçosos dos Dardennes em termos de construção e desdobramento de conflitos. Nem mesmo a ótima atriz e a marca autoral dos diretores conseguem elevar o filme a seus melhores trabalhos.


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