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Qui, 09/02/2017 às 21:46

A Espera explora esperança associada à dor da perda

Adalberto Meireles | Jornalista

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    Juliette Binoche no filme A Espera, que é inspirado em peça de Luigi Pirandello - Foto: Divulgação

    Juliette Binoche no filme A Espera, que é inspirado em peça de Luigi Pirandello

Há um momento em que Lou de Laâge convida Juliette Binoche para dar um mergulho, em A Espera, longa de estreia do italiano Piero Messina, que foi assistente de direção de Paolo Sorrentino em A Grande Beleza (2013). Binoche diz não, porque só consegue olhar algumas partes do seu corpo no escuro.

A sequência é densa. E o que segue é uma espécie de tensão que se esgota (como tudo no filme) no esforço de Messina por contar uma história que se revela aos poucos, mas não em detalhes. O que interessa é o que se apresenta ali. Todo o resto será como o corpo nu que a personagem prefere ver oculto.

Inspirado livremente em A Vida que Te Dei, peça de Luigi Pirandello, A Espera traz Binoche  no papel de Anna, uma mulher enlutada pela perda do filho. Ela recebe em casa a nora (Jeanne - Laâge), que busca a reconciliação com o namorado.

Todos sabem que o rapaz morreu, mas a garota não.  A mãe diz a ela que acaba de enterrar um irmão, o tio do rapaz. Não à toa, aquele diálogo de Binoche com Laâge, à beira de um lago, soa tão importante no filme impregnado por uma atmosfera lúgubre, ao mesmo tempo que solar, exacerbada pela câmera de Francesco Di Giacomo.

A Espera é um filme feito de expectativa, sinalizada nos ritos religiosos da Semana Santa em conformidade com o prenúncio de chegada do rapaz associado ao período da Páscoa.

Feito também de mistério, acentuado pelo claro-escuro que predomina nas tomadas internas do filme e na presença um tanto enigmática de Pietro (Giorgio Colangeli), um empregado da casa que não entende por que Anna não conta a verdade a Jeanne.

O que provavelmente interessa a Anna é o prolongamento da relação com o filho, pouco ou quase nada explicitada ao longo do filme,  amparada pela presença da nora, com quem mantém uma relação um tanto maternal, como se ganhasse tempo para assimilar o luto e lidar melhor com a perda.

Colaborador de Sorrentino, que se tem mostrado um discípulo de Federico Fellini, é em Michelangelo Antonioni que Piero Messina se inspira. O tempo morto, suspenso, as pausas, o silêncio, as deambulações, tudo remente ao diretor da 'trilogia da incomunicabilidade'.

Há até um fio narrativo que lembra O Passageiro - Profissão: Repórter. O espectador conhece alguns detalhes da relação da namorada com o filho, em A Espera, por meio das mensagens que ela deixa no celular, escutadas pela mãe, evocando a gravação que Jack Nicholson ouve no quarto de um hotel no deserto africano logo no início do filme lançado por Antonioni em 1975.


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