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Ter, 14/02/2017 às 07:33

Petrus Cariry, cineasta:"Nas sombras, podemos encontrar luz"

Rafael Carvalho | Especial para A TARDE

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  • Gabriel Gonçalves | Divulgação

    Petrus Cariry (E) no set de Clarisse - Foto: Gabriel Gonçalves | Divulgação

    Petrus Cariry (E) no set de Clarisse

Filme brasileiro dos mais potentes que estreou na última quinta-feira nos cinemas, Clarisse ou Alguma Coisa Sobre Nós Dois é uma produção cearense, dirigida por Petrus Cariry, filho do também cineasta Rosemberg Cariry.

O longa afirma a força criativa do realizador cearense, cada vez mais maduro como encenador, que apresenta agora uma trajetória dolorosa de acerto de contas familiar.

Clarisse (Sabrina Greve) vive com o marido estrangeiro e a filha numa bela casa burguesa, fruto dos negócios da família. No entanto, é visível o seu estado de descontentamento com a vida. Ao visitar o pai viúvo (Everaldo Pontes) numa grande propriedade no campo, ela reacende mágoas e culpas antigas.

Petrus constrói um clima denso, repleto de simbolismos, para dar conta das angústias da protagonista e seu passado opressor e patriarcal. A protagonista é confrontada com suas próprias dores naquele lugar, junto a seus fantasmas e memórias.

O diretor Petrus Cariry conversou com A TARDE sobre o filme e seus novos projetos.

O filme possui um clima sombrio, mórbido, assim como também seus longas anteriores. De onde vem a preferência por esse tom quase aterrorizante?

O tema da morte perpassa os meus três longas-metragens, com algumas diferenças de abordagem e estilo. Em O Grão, temos uma criança que alimenta a avó para que ela não morra antes de lhe contar uma história, e essa história encerra um ensinamento sobre a morte e a condição humana. Mãe e Filha é um conflito entre gerações em torno de um bebê natimorto. A mãe do bebê quer enterrar a criança, a avó quer prolongar esse enterro. Em Clarisse ou Alguma Coisa Sobre Nós Dois, temos a luta de uma mulher, com os seus fantasmas e medos, na fronteira do real e do sonho, para reencontrar a vida. A morte e o sangue são signos de renovação, um possível recomeço. Não sei de onde vem esse interesse no tema, mas de qualquer forma acho que ao adentrarmos nas sombras, podemos encontrar a luz.

Quais as suas principais referência para compor esse ambiente em Clarisse?

Eu vi muitos filmes sobre sombras femininas, filmes de horror japoneses, corações e mentes destroçados. Clarisse trabalha com um clima psicológico pesado, com a suspensão do tempo, lacunas narrativas, consequentemente, com o acúmulo de tensões, fazendo o público que viveu o filme na sala sair no final da sessão em estado de excitação. Eu acho interessante flertar com a questão do filme de horror, para usar e subverter alguns códigos já estabelecidos.

O som e a trilha sonora têm um peso muito forte no filme. Por que essa opção em intensificar o registro sonoro?

Eu estudei muito a questão da banda sonora do filme. Considero o som muito importante na construção do filme. Fiz várias experiências sensoriais em conjunto com Érico Paiva (Sapão), na mixagem e no desenho sonoro, em busca de contar uma história através dos sons e ruídos. A questão do silêncio e dos ruídos intensos do filme foi uma descoberta do próprio processo de roteirização, filmagem e finalização. Clarisse é uma personagem com estado mental alterado por conta dos fantasmas que a assombram, acho que o som e a trilha revelam esse aspecto.

Sabrina Greve tem presença marcante em tela, é o tipo de personagem que exige muito de uma atriz. Como você a conheceu e como foi dirigi-la?

Eu conheci o trabalho da Sabrina Greve no filme Uma Vida em Segredo (2002). Dez anos depois dessa experiência fui ver um curta da Juliana Rojas chamado O Duplo (2012) e fiquei impressionado com seu trabalho na tela. Eu a convidei e ela topou. Foi um trabalho intenso de construção da personagem. Sabrina é uma atriz muito dedicada, foi um prazer imenso fazer esse filme com ela, agradeço a confiança e a entrega.

Já o Everaldo Pontes é um ator de larga experiência. Como foi desenvolver com ele esse personagem?

Everaldo Pontes é um ator fantástico, muito versátil e realmente tem repertório interessante por conta de sua grande experiência com cinema e teatro. Trabalhamos muito vendo filmes, fazendo ensaios de mesa e discutindo o personagem em detalhes, mas também nos permitimos fazer mudanças no personagem durante a filmagem.

Como tem sido pra você fazer cinema no Ceará? O que tem mudado desde a realização do seu primeiro longa?

No Ceará estão sendo feitos muitos filmes interessantes, geralmente com pouco dinheiro, ou quando se tem alguma sorte, com editais públicos. Esse cinema está ganhando espaço nacional e mesmo internacional, com participação em festivais e com uma boa fortuna crítica. É um cinema que já realiza as suas potencialidades, mas que precisa crescer e se fortalecer ainda mais. Um cinema que precisa de mais apoio, de mais verbas, tanto do Estado quanto da Ancine, que já estão mantendo editais — e esses editais fazem a diferença. No entanto, precisam ser ampliados. É um cinema criativo, muitas vezes experimental, muito arriscado, que não tem medo. O caminho é este mesmo, fazer o que se está a fim de fazer, sem amarras.

Quais os seus projetos futuros no cinema?

Estou finalizando um filme chamado O Barco, que foi rodado no Ceará, na Praia das Fontes. O filme fala de uma comunidade de pescadores, sobre uma mulher que tem 26 filhos, e o nome de cada filho corresponde a uma letra do alfabeto. Ela decifra o futuro a partir dos filhos, a partir da chegada de um misterioso barco e de uma mulher que vem pelas águas. O destino dessa comunidade será alterado por esses acontecimentos. Tenho um projeto de ficção chamado Mais Pesado que o Céu, um road movie que gostaria de filmar até o ano que vem, pois as ideias do filme estão em estado de ebulição e sinto que não posso demorar muito para filmar.


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