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Daniel Dórea

Detalhe Tático

Ter, 06/12/2016 às 07:32

Cine mambembe

Jornalista l d.dorea@hotmail.com

Assistir a Barcelona x Real Madrid é sentar numa poltrona do melhor cinema da cidade e contemplar. Outros jogos pelo mundo valem no máximo uma boa HDTV no conforto do sofá de casa. A maioria, no entanto, combina mais com a imagem de uma televisão de tubo.

O superclássico deste sábado tive de acompanhar via internet, pela pequena tela de um notebook. A cada 30 segundos a imagem ficava embaçada, mas depois recuperava-se bravamente. Por sorte, as habituais travadas foram raras.

Confesso ter me decepcionado mais com o jogo em si do que exatamente com a maquininha já ultrapassada – e provavelmente infectada. Disseram que Chelsea x Manchester City foi melhor, emocionante. Este, porém, perdi.

Minha decepção é, principalmente, com o Barcelona. Vejo o superclássico sempre com olhar de crítico, amante de futebol e torcedor. Gosto tanto do estilo de jogo do Barça que, inconscientemente, escolhi o lado azul-grená na Espanha. Especialmente no duelo com o Real Madrid, torço de verdade.

O Barcelona do início desta década foi o melhor time que já vi. Digo isso sem pestanejar, mesmo naquela época Messi tendo como parceiros de ataque Villa e Pedro, e não os fantásticos Neymar e Suárez.

Desde que o festejado trio MSN se formou, o mundo pôde vibrar com atuações espetaculares da equipe catalã. Na última temporada e na atual, entretanto, elas têm cada vez mais se reduzido aos três. E o Barça, que havia revolucionado o futebol com um estilo encantador de jogar coletivamente, tem se deixado ficar muito dependente do brilho individual de suas estrelas.

Primeiro problema: a aposentadoria de Xavi, um meio-campista de dinâmica inigualável e técnica refinada. Segundo: a queda física do genial Iniesta e a diminuição da importância de Rakitic, meia que havia se adaptado bem ao time em suas duas primeiras temporadas. Terceiro: a saída do lateral direito Daniel Alves – antigo desafogo da equipe, usado para quebrar o ritmo dos passes curtos e esticar o jogo – e sua substituição pelo insosso Sergi Roberto, um meia improvisado.

Sem saída

No sábado, nos momentos em que sofria marcação por pressão do Real, o Barcelona não encontrava saída. Quando os merengues esperavam mais atrás, faltavam ideias. As longas e admiráveis trocas de passes escassearam. Apenas uma superou os 20 toques (22). Outras duas passaram dos 15 e mais cinco tiveram acima de 10. Messi mostrou-se pouco ativo e Suárez encontrou dificuldade para dar sequência a várias jogadas. Neymar, que desperdiçou 19 bolas – em lances nos quais foi desarmado ou errou passes curtos – foi o melhor dos três. Mas é o seu estilo, agressivo e de pouca paciência no trabalho de posse de bola, que menos combina com o do Barça de poucos anos atrás.

No lance destacado à esquerda do infográfico, é Messi quem perde a oportunidade de lance promissor para tentar empreitada individual. Ele recebe de Neymar, que passa e oferece ótima opção pela esquerda, assim como Rakitic aparece livre do outro lado. O argentino acaba carregando demais a bola e, na sequência, força lançamento para Suárez, que consegue só um escanteio.

À direita do infográfico, destaquei um deslize de Cristiano Ronaldo, para também não deixar barato para o mala portuga. Ele, cercado por dois marcadores, recebe lançamento de Isco. Na marca do pênalti, surgia incrivelmente livre o lateral Carvajal. Bastava um toque de cabeça para o colega, mas ele prefere matar no peito e isolar.

Emblemático. Os dois gols do 1 a 1 saíram em jogadas de bola parada, cruzamentos à área. Se a disputa se concentrar nisso, a vantagem ficará sempre com o Real Madrid. Enquanto isso, o Barcelona faz seu pior início de Campeonato Espanhol desde 2007/08.

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