Colunistas


Daniel Dórea

Detalhe Tático

Ter, 03/01/2017 às 07:10

Ba-Vi do papel

Jornalista l d.dorea@hotmail.com

Se tem alguém que sabe ser mala, esse cara é Vitor Villar, nosso repórter que faz a cobertura do Bahia. Sempre que uma contratação do Tricolor ou do Rubro-Negro é anunciada – ou até mesmo sem acontecer nada de novo – ele percorre a redação para coletar opiniões sobre uma virtual seleção misturando os jogadores das duas equipes.

Para Vitor, essa é uma das coisas mais divertidas que existem. Segundo ele, que é um cara moderno e entende o mundo digital, os sites que apostam nesse tipo de matérias conseguem vários cliques por meio delas. É basicamente o que eu, aos 16 anos, fazia no meu caderno durante as aulas de física e biologia.

No entanto, não vejo nenhum conteúdo jornalístico nessa brincadeira. Divertida, desde que em doses moderadas, não deixa de ser. Assim, o único espaço no qual ela caberia é esta coluna. Aqui, proponho uma discussão interessante: com esse exercício de junção dos dois elencos, é possível formar uma equipe de alto nível? A resposta é clara. Não, nem assim. Explicarei minhas decisões e vocês verão que, em alguns momentos, faltará convicção, justamente pela ausência de boas opções.

Antes de começar, é preciso salientar que Bahia e Vitória ainda vão contratar perto de uma dezena de atletas cada. Usarei alguns jogadores que ainda não foram anunciados de forma oficial para fortalecer minha pobre equipe.

 

Os escolhidos são...

No gol, escalo um jovem que nem iniciará o ano como titular. Caíque, de 19 anos, foi a grande revelação do futebol baiano em 2016 e já é mais consistente do que o veterano Fernando Miguel, o camisa 1 do técnico rubro-negro Argel. No Bahia, Jeanzinho, 21, não está pronto como Caíque.

Nas laterais, escolho também dois jogadores do Vitória: Leandro Salino, já oficializado, e Geferson, que ainda não assinou. Eles se aproveitam do benefício de que os conheço pouco e faltam-me argumentos para criticá-los da mesma maneira que posso fazer em relação aos que já estavam por aqui. O tricolor Eduardo tem uma postura defensiva ruim e não compensa com tanta eficiência assim na frente. Tinga, também do Bahia, apresenta muitas deficiências. Geferson, apesar de não ser um jogador de boa técnica, mostra-se seguro na parte defensiva. Algo que é uma exigência no futebol europeu, onde Salino jogou nas últimas oito temporadas.

Os tricolores Tiago e Jackson formam a zaga, mesmo que eu não confie nessa dupla. Praticamente fechado com o Vitória, Fred não é ruim tecnicamente e pode render. Porém, tem o defeito de ser lento como Tiago, o melhor dos três. Jackson entra por ser a única opção de boa velocidade.

O meio-campo tem Willian Farias, que simplifica a saída de bola e marca com vigor, mas não o também rubro-negro Uillian Correia, que possui as mesmas características. Mais à frente, o tricolor Juninho teria liberdade para explorar seu ótimo poder de finalização e o rápido e objetivo Zé Rafael – em fase de conclusão de tratativa com o Bahia – surge como esperança de jogador capaz de fazer a transição ao ataque de forma competente. Algo que faltou aos dois times baianos em 2016.

Pelos lados, escalo o indiscutível Marinho, oásis de qualidade destacada na nossa terra, e o disciplinado Edigar Junio. No comando do ataque, Gustavo, provável reforço do Bahia, ganha de Hernane pela maior dinâmica de jogo e força física. E supera Kieza pela má fase técnica do concorrente, que, com muita luta, conseguiu contribuir mais no Vitória quando atuou pela ponta.

No final, deu Bahia por 6 a 5. Ganhou no detalhe, mas podia tranquilamente ter ocorrido o contrário. Muitos – incluindo Vitor Villar, é claro – vão discordar e posso mudar de opinião em breve.

Período

Colunista:

Coluna:

De:

Até: