Colunistas


Daniel Dórea

Detalhe Tático

Ter, 10/01/2017 às 07:15

Mistura criativa

Jornalista l d.dorea@hotmail.com

Quem leu a coluna da semana passada? Que trabalho inútil miserável! Prejudicado pela monotonia do período de transição entre 2016 e 2017, apelei para uma forçada ‘seleção’ misturando o que Bahia e Vitória tinham de melhor até aquele momento.

Momento inoportuno. Em uma semana, os dois clubes fizeram várias novas contratações e hoje, é claro, montaria aquele time de forma completamente diferente. Mas, enfim, passou. Não vou repetir o tema, já basta estar remoendo-o aqui.

O que mais tem chamado atenção sobre a ida às compras de Bahia e Vitória é a discrepância nas estratégias dos clubes. Em geral, o Tricolor aposta em jogadores interessantes e não consagrados, enquanto o Rubro-Negro tenta acomodar num time sua sede por um elenco estrelado.

Há muitos anos um clube baiano não trazia tantos reforços renomados, e que de fato jogaram um futebol de alto nível em tempos recentes. A maior parte deles vem com status de titular, de acordo com o brilho que tiveram em equipes de destaque superior ao do próprio Leão.

Muito legal. A vinda desses atletas só movimenta nosso futebolzinho medíocre e desperta o interesse de quem, eventualmente, poderia ter se desligado desse mundo. Entretanto, há detalhes a pontuar. São vários jogadores contratados pesando a balança para o setor ofensivo e, na eterna ilusão da busca por um tal maestro que permeia o imaginário dos torcedores, alguns possuem características bem parecidas.

Meu desafio nesta coluna é tentar explicar como todos os principais reforços do Rubro-Negro poderiam atuar juntos – embora eu admita que o pragmático treinador Argel Fucks dificilmente usaria a formação ilustrada abaixo no infográfico.

Cleiton Xavier, Jesús Dátolo e Leonardo Pisculichi. Um trio de armadores de ótima qualidade técnica que divide, teoricamente, o mesmo espaço de campo. A solução mais simples seria colocar um ou dois deles no banco, mas é possível, sim, misturá-los num 4-1-4-1 da moda. Esta é a melhor estratégia para abrigar vários armadores. Assim funcionava o esquema do Corinthians de Tite, que tinha Jadson pelo lado direito com Elias e Renato Augusto centralizados. Na esquerda, Malcom fazia o papel de velocista.

Independentemente das características de cada atleta com a bola no pé, é importante que, no momento defensivo, os quatro façam a recomposição em linha. É claro que vão perguntar: “quem marca aí?”. A resposta: ninguém... e todos. Basta que os espaços sejam ocupados. Não é necessário ter marcadores natos, aqueles antigos cães-de-guarda.

E é bom lembrar que, atrás dessa linha de quatro atletas, ainda há Willian Farias, que tem aptidão suficiente para fazer com competência a saída de bola e possui capacidade maior que os demais de desarmar adversários.

Particularidades

Sobre a composição da linha ofensiva do meio-campo, escolhi as posições de acordo com pequenas particularidades de cada armador. No River Plate, o canhoto Pisculichi jogava mais pelo lado direito, com o objetivo de levar a bola para o centro e finalizar. Cleiton Xavier costuma recuar para buscar jogo e auxiliaria de forma mais constante Willian Farias no início das tramas. Dátolo teria uma liberdade maior no setor de centro-esquerda, dialogando com o homem de velocidade – Lucca, em tratativas, seria um nome adequado para a função.

No comando do ataque, escolhi Kieza em detrimento de Rodrigão, que também não fechou ainda, por conta de sua maior rapidez. Ele seria mais facilmente acionado pelos passes do trio criador.

Para a engrenagem dessa equipe funcionar, é preciso ter uma zaga segura e, ao lado de laterais que sejam essencialmente defensores, postada pelo menos próxima à intermediária defensiva. Estou curioso para ver como vai ser essa brincadeira. Dará resultado? A incerteza é só mais um atrativo.

Período

Colunista:

Coluna:

De:

Até: