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Daniel Dórea

Detalhe Tático

Ter, 07/02/2017 às 07:14

Concorrência nacional

Jornalista l d.dorea@hotmail.com

Somos quase todos adeptos do modismo. Por mais que algo se mantenha interessante por um bom tempo, se renove, jamais terá o charme e o poder de atração de uma novidade. Deparei-me durante a semana com uma enquete perturbadora feita pelo programa Linha de Passe da ESPN Brasil: caso Gabriel Jesus e Neymar jogassem no mesmo horário por seus campeonatos na Europa, você iria preferir ver qual partida?

A pergunta que deveria causar dúvida me trouxe uma resposta rápida e clara: Gabriel Jesus. E não é porque o garoto joga melhor do que o astro do Barça. Pelo contrário, nunca será tão genial quanto Neymar. Mas a influência do novo é forte, ainda mais quando se trata de uma história tão boa. Um jovem que ingressa numa liga complicada e historicamente pouco convidativa para jogadores brasileiros, e logo consegue chamar atenção.

Na estreia, 13 minutos de intenso brilho e até gol anulado. No segundo jogo, já como titular, seu primeiro tento com a camisa do Manchester City. No último domingo, com a terceira partida vieram mais dois gols e outra ótima atuação. É preciso ressaltar: Gabriel está muito empolgado, dá gosto de ver. No lance do gol inaugural, ele acompanhou David Silva de perto da lateral da área até a proximidade da meta, como se implorasse para que ele lhe tocasse a bola. A redonda só chegou ao seu pé após o rebote, e ele não desperdiçou a chance.

Durante o resto da partida, fez o que pôde em uma função que não é exatamente sua especialidade. Jogou o tempo todo de costas e, como pivô, descolou vários toques espertos para os colegas. No fim, foi recompensado com o gol que decretou o 2 a 1 sobre o Swansea. Cabeçada, defesa do goleiro e oportunismo na sobra.

Fui dormir na madrugada de domingo pensando em acordar para assistir a esse embate. Já o do Barcelona, na tarde de sábado, acompanhei por acaso. Liguei a TV e estava para começar. Coincidência boa. Quer dizer, o jogo foi bem mais ou menos. O Barcelona parece ter perdido de vez sua qualidade coletiva, produz muito pouco em tramas de toque de bola. Depende quase que exclusivamente do poder individual de seus craques, e é aí que entra Neymar, o que salvou o insosso Barça 3x0 Athletic Bilbao.

Adeus, marasmo!

O principal astro do futebol brasileiro vinha num certo marasmo – sem referencial de jogador brasileiro próximo do seu nível e sem perspectiva de subir de patamar no clube catalão, no qual é sombra de Messi. Por conta disso, vive sua pior temporada em número de gols marcados na Europa: apenas nove em 27 partidas.

Diante da equipe basca, também não balançou a rede. Mas por detalhe. Quem sabe a chegada de Gabriel Jesus à Inglaterra tenha estabelecido uma saudável concorrência nacional, com o despertar de Neymar. Em campo, ele mostrou outro tipo de iniciativa e, em dia de pouca luz de Messi, comandou as ações ofensivas do Barça. Das 11 claras ocasiões criadas, ele participou diretamente de sete (no infográfico, os círculos azuis representam as jogadas em que ele finalizou, e os vermelhos aquelas em que o atacante serviu aos companheiros).

Neymar executou cinco chutes, todos eles relativamente perigosos, e deu duas boas assistências ao beirar a linha de fundo. Uma terminou no gol que abriu o placar, de Alcácer. Além disso, mostrou disposição ao fazer quatro desarmes no campo de defesa, arrancar com a bola em 16 oportunidades e entortar adversários com 10 dribles certos. Também foi menos impreciso. Acabou desarmado oito vezes (em outra coluna, registrei 13 perdas de posse de bola suas).

O riso sonso de Neymar ou a cara de choro de Gabriel? A força de vontade de Gabriel ou a arte de Neymar? Queremos tudo isso! E que venham os próximos jogos da dupla.

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