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Daniel Dórea

Detalhe Tático

Ter, 14/02/2017 às 07:12

Rosa multiúso

Jornalista d.dorea@hotmail.com

O ano havia acabado de começar e eu curtia a ressaca do Réveillon quando alguém que não lembro quem me informou, desanimado: “O Bahia contratou um tal de Diego Rosa”. Juro que retruquei assim: “É? Bom jogador, se destacou no Luverdense”. Porém, na resposta seguinte, sobre a posição e o estilo do cara, vacilei: “Rapaz... sei não”.

Na verdade, a pergunta não é tão simples quanto parece. Diego Rosa é aquele atleta que o adversário dificilmente vai localizar num ponto mais ou menos fixo em campo. Essa característica se adapta perfeitamente à exigência do técnico Guto Ferreira de variação entre seus meia-atacantes que atuam pelas pontas. Se no ano passado as trocas ocorriam em momentos pré-determinados, duas ou três vezes por partida, agora o zigue-zague tem sido constante.

Caminho aberto para a inquietude de Diego, que, após um início de temporada discreto, vem subindo a ladeira. Aliás, nos dois melhores jogos do Bahia em 2017 – o 6 a 0 sobre o Bahia de Feira, na última quarta, e o 0 a 0 com o Altos-PI neste domingo – o velocista começou como titular. Contra o Tremendão, marcou dois gols. No Piauí, foi o melhor em campo.

O placar engana. Apesar do zero total, o Esquadrão construiu bastante e foi mais produtivo do que nos triunfos por 2 a 0 sobre Jacobina e Moto Club. Das cinco claras oportunidades criadas pelo time em jogadas de bola rolando, Diego Rosa coprotagonizou três (em destaque no infográfico, onde estão mapeadas todas as participações do jogador no embate). Duas sendo acionado em corrida pela lateral – uma de cada lado – e a outra em finalização de dentro da área após receber passe de Renato Cajá.

Ponto importante: Diego não vive só das fugas velozes pelas pontas. Assim como fazia Edigar Junio, afastado por lesão, ele tem o costume de entrar na área para fazer companhia ao centroavante Hernane quando o lance se desenrola pelo lado oposto. Diante do Bahia de Feira, a movimentação resultou em seu par de gols. Em Teresina, poderia ter sido mais acionado, pois se fez presente várias vezes. Em duas ocasiões, bolas aéreas promissoras na sua direção foram interrompidas por faltas marcadas pelo árbitro. Em outras duas, teve passes travados pela defesa.

Lutador

Mas o jogador não se limita ao trabalho de construção. Também contribui de forma intensa em momentos importantes, como na recomposição defensiva e na briga pela chamada ‘segunda bola’ – quando a redonda viaja sem destino e as duas equipes lutam para ficar com ela.

Contra o Altos, executou três desarmes, um deles no campo defensivo. Quanto às divididas com a bola no chão, teve sucesso em duas e perdeu a briga na outra. Nas disputas aéreas, usou sua boa estatura para a posição (1,80 metro) e conseguiu vencer em cinco oportunidades. Foi superado em apenas duas.

Com a evolução apresentada, na minha análise, Diego Rosa ganha pontos no time titular do Bahia, que ganha ares de mistério por conta do rodízio promovido pelo técnico Guto Ferreira. Vejo ainda como a melhor opção para este time a mudança do esquema 4-2-3-1 para o 4-1-4-1, com apenas o competente Renê Júnior entre as linhas de defesa e meio-campo, que teria Juninho – mais adiantado – e Régis pelo centro, Allione e Diego pelos lados. Zé Rafael, apesar de ter mostrado qualidades, não teria lugar entre os 11.

Tudo pode mudar quando Edigar Junio e Maikon Leite ficarem à disposição. Aí, Guto ganhará opções para tornar seu time mais veloz e habilidoso. Engraçado como as coisas mudam. Até algumas semanas atrás, o Vitória começava a empolgar. Agora, o Bahia anima mais. Como estará o cenário em abril para o primeiro Ba-Vi do ano?

Período

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