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Juliana Lisboa

Inclusiva

Seg, 20/03/2017 às 14:08 | Atualizado em: 20/03/2017 às 14:53

Deslegado

Juliana Lisboa

Baiano Maru Urban vai treinar equipe de vela nos EUA (Foto: Arquivo pessoal)

Menos de um ano depois dos Jogos Olímpicos e Paralímpicos do Rio de Janeiro, o descaso com o esporte amador se mostra tão violento no Brasil que nomes importantes da nossa última campanha também desistiram de insistir em trabalhar por aqui.

Marta, maior jogadora do futebol feminino no Brasil, se naturalizou sueca após 10 anos morando e trabalhando no país escandinavo. Ela garante que continuará vestindo a camisa amarelinha, mas os sonhos de fãs e torcedores de vê-la atuar numa temporada inteira no Brasil ficaram pelo caminho.

O mesmo aconteceu com Elaine Estrela, outro ícone do futebol feminino – esta, baiana – que também conseguiu cidadania sueca. Mesmo sem jogar, por conta de um problema no joelho, Elaine quer seguir no futebol como treinadora – e poderia muito bem ser aproveitada por aqui.

Izabella Chiappini, segunda melhor jogadora de polo aquático do mundo, e que defendeu o Brasil na Rio-2016, aceitou o convite da seleção italiana e vai jogar pela equipe europeia. Ela já tinha dupla cidadania.

Mais um baiano que está de mudança para outro país é o velejador Mario Urban, o Maru, vice-campeão mundial de snipe em 2013. Ele viaja hoje para San Diego, nos Estados Unidos, para ser o técnico do San Diego Yacht Club. Na Rio-2016, ele já tinha treinado a equipe olímpica e paralímpica  de vela dos EUA.

Essa debandada serve para mostrar que o legado olímpico (ou a falta dele, na verdade) não ficou naquele parque enorme, completamente abandonado, no meio da Barra da Tijuca. Passa, também, pela retirada de patrocínio aos atletas, corrupção das confederações e falta de estrutura para competições de alto nível.

Serve para mostrar que a Rio-2016 foi muito parecida com a Copa do Mundo de 2014. Teve beleza, trouxe euforia e turistas, mas o que ficou foi um monte de elefantes brancos e uma dívida financeira e com os atletas.

O outro lado

Mas há quem tenha aproveitado a exposição do Brasil na Rio-2016 e esteja investindo em Tóquio-2020, como é o caso do Comitê Paralímpico Brasileiro (CPB). 

Começam hoje, em São Paulo, os Jogos Parapan-Americanos. E no Centro de Treinamento Paralímpico, espaço construído especialmente para o esporte adaptado.

Essa competição, que conta com jovens com idades entre 13 e 21 anos, é conhecida por revelar novos talentos, que serão a aposta do CPB para os próximos ciclos paralímpicos. 

Da delegação brasileira, que conta com 173 paratletas, dois são baianos: Maicon Junior, do futebol de 5 – modalidade tradicional por aqui, com nomes de peso como Jefinho, Cássio e Gleidson – e Hoseanne Ilbes, do goalball, modalidade em que o Brasil vem crescendo.

A torcida, agora, é para que esses atletas – e tantos outros – encontrem espaço aqui. E que a palavra ‘legado’ comece a fazer sentido.

 

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