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José Raimundo Silveira

Olhar Rubro-Negro

Sex, 18/11/2016 às 07:15

Reino dos salvadores

Jornalista l olharrubronegro@gmail.com

Dentro e fora de campo, o Vitória se apega à figura de salvadores da pátria nesse final de ano na busca por um horizonte melhor. Com a bola em jogo, fica fácil apontar Marinho como esse messias. A crença na salvação do inferno da Série B passa necessariamente pelos pés do atacante, reserva de qualidade técnica da equipe. Já longe do gramado, em meio à disputa pelo poder no clube, identificar o salvador é mais complicado. As quatro correntes postulantes se anunciam como a verdade e a vida, único caminho para a redenção rubro-negra.

As duas situações expostas são perigosas, como todo aquela em que surgem salvadores da pátria. Geralmente, não funcionam e causam mais frustrações que soluções. No caso do time em campo, não há muito o que se fazer. Apesar de ser um esporte coletivo, todas as fichas na luta contra o rebaixamento estão depositadas em Marinho. Está mais que clara a dependência do time por ele. Sua ausência por contusão contribuiu para a perda de pontos preciosos.

O técnico Argel entendeu a questão. Na emocionante virada contra o Atlético Paranaense, não usou meias palavras para mostrar o caminho da luz aos seus jogadores e berrou aos quatro ventos: “Dá pro Marinho, dá a bola pro Marinho!!!!!”. O recado foi entendido, o time deu a bola a Marinho e ele garantiu os três pontos naquela ocasião.

O time também já compreendeu a importância do camisa 7 nesse momento crucial. Kieza talvez não pense assim. Demorou a comemorar o gol do triunfo sobre os paranaenses por ter ficado com raivinha de Marinho, ao não receber dele a bola, e dá claros sinais de incômodo pela perda do papel de protagonista. Na verdade, não assumiu esse papel em momento algum da temporada. A liderança técnica de Marinho vem prevalecendo sobre qualquer eventual ciumeira.

Bate-chapa

As trombetas dos salvadores da pátria também ecoam no campo eleitoral. Quatro chapas se anunciam no horizonte para a eleição indireta do próximo dia 10 de dezembro. Os sócios votarão em uma chapa, que, por sua vez, indicará o presidente do conselho diretor para o próximo triênio.

Ainda sem alarde, aguardando o desfecho da epopeia da fuga da degola, a atual direção não faz muito barulho. Caso seja garantida a permanência na elite, receio que esse fato seja usado como trunfo, ao lado do estadual vencido à fórceps e o retorno ao Nordestão em 2017. Convenhamos, cabos eleitorais fraquinhos.

As outras três, por seu lado, estão à caça de votos dos associados. Sabe-se lá como, alguns sócios-torcedores tiveram seus números de telefones vazados para representantes de pelo menos duas dessas chapas (Vitória de Todos Nós e Vitória Gigante), recebendo ligações e mensagens solicitando adesão. Chovem reclamações nas redes sociais.

Já a queixa maior sobre a Vitória do Torcedor, que se auto-proclama “única chapa de oposição”, é a presença de um político como cabeça (Robinson Almeida, ex-secretário do Governador Jaques Wagner).

Ouço e observo todos eles prometendo o melhor dos mundos ao torcedor do Vitória. Ao mesmo tempo, demonizam as propostas das demais concorrentes. Nesse embate do bem contra o mal o Leão tem pouco a ganhar. Pior de tudo é saber que, passada a eleição, a tendência é a manutenção do quadro de desagregação entre as diversas correntes do clube, que tanto prejuízo trouxe no passado. Assim ocorre, quando se coloca a vaidade pessoal à frente de interesses mais nobres.

Saudações Rubro-Negras, hoje e sempre!

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