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José Raimundo Silveira

Olhar Rubro-Negro

Sex, 25/11/2016 às 07:25

Pensam que somos bobos

Jornalista l olharrubronegro@gmail.com

Série A é lugar onde o filho chora e a mãe não vê. Sem espaço para ingênuos ou incautos nesse mundo-cão, que faz penar quem deixa de manter os olhos bem abertos. O Vitória não pode cair na armadilha de imaginar que a reta final da briga contra o descenso será definida apenas no campo. Não vai. Ainda mais quando principal oponente nessa luta inglória é um dos maiores clubes do país. O Internacional já está trabalhando nos bastidores para evitar a queda, em busca dos fins, sem muita preocupação com os meios.

Em campo, está difícil para os gaúchos. Nem tanto pela pontuação, mas pelo estado de espírito. Seria algo normal vencerem o Cruzeiro na próxima rodada em casa e contarem com uma derrota do Leão no Couto Pereira, onde jamais derrotou o Coritiba. Ocorrendo essa combinação, empatariam em pontos, provavelmente ficando na zona de rebaixamento pelo critério de saldo de gols. Ficaríamos na obrigação de vencer depois o Palmeiras para não depender do duelo do Inter com o desinteressado Fluminense. Uma salvação possível para eles.

No entanto, o futebol deprimente apresentado pelo Inter nas últimas rodadas, somado à subida de produção do Vitória com o retorno de Marinho, não lhes dá a confiança de resolver a parada no campo. A crise profunda está instalada por lá e o clima já é de Segunda Divisão, coisa inédita na rica história colorada. O caminho, portanto, seria buscar meios menos ortodoxos para fugir da degola.

Senão vejamos. O Inter tem uma dívida de R$ 1 milhão com o Coritiba, por conta do empréstimo do lateral Ceará. O assunto foi parar na Justiça e prometia se arrastar. Porém, que surpresa! Essa semana, às vésperas do confronto entre Coxa e Vitória, chegaram a um acordo! Que coisa, não? Incrível a coincidência... Vale lembrar, ainda, que o técnico do Coritiba é Carpegiani, ídolo do histórico Inter dos anos 70. Razões para acreditar em empenho redobrado contra o Rubro-Negro.

Houve ainda a tentativa de desestabilizar o principal jogador do Vitória, Marinho, com o vazamento de interesse do Botafogo e Flamengo em sua contratação. Nesse caso, é mais simples: que paguem a multa rescisória e contratem o atacante. Jogadores passam, o Vitória permanece e Marinho parece focado, cada vez mais decisivo.

Outra jogada de bastidor foi mais ousada, no estilo ‘Walking Dead’. O Inter retirou das catacumbas o "Caso Victor Ramos", já esclarecido no primeiro semestre. Mesmo com o aval da CBF, dando conta da normalidade da inscrição do jogador, a alegação é que estaria irregular, devendo perder pontos. Jogaram no ar o balão de ensaio para ver onde vai parar.

Não colou com o nosso rival, eminência parda e bastante interessado na ação iniciada pelo Flamengo de Guanambi. Será que cola com o clube gaúcho, maior em expressão? Sugiro uma consultoria com o departamento jurídico do Fluminense. Mas só ressalto que o Vitória não é a Portuguesa, grande prejudicada na ocasião do tapetão da Série A de 2013.

O Vitória está coberto na situação com o zagueiro. Isso na esfera legal, salvo entendimento conveniente do STJD para salvar o laureado Inter, se a situação parar mesmo no tribunal. Minha preocupação é com o extracampo. A atenção tem que ser total com relação ao que cerca essas duas decisões, especialmente no tocante aos árbitros escolhidos para apitar nossos jogos. Não dá para fazer o papel de ‘otário da sala’ e imaginar que estamos em um mundo belo e justo. Na verdade, lidamos com cobras criadas, loucas para salvar a pele.

Saudações Rubro-Negras, hoje e sempre!

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