Colunistas


José Raimundo Silveira

Olhar Rubro-Negro

Sex, 02/12/2016 às 07:06

A vida é um sopro

Jornalista l olharrubronegro@gmail.com

A tragédia da Chapecoense, a maior da história do futebol mundial, tem muitas cores, não apenas as branca e verde do seu escudo. A catástrofe na Colômbia causou comoção mundial e atingiu o coração de quem ama e está acostumado às belas cenas proporcionadas pelo esporte. O choque também alcançou o torcedor do Vitória, que viu desaparecer como um sopro personalidades muito próximas ao clube, incluindo o maior jogador da história do Leão, Mário Sérgio.

Sou de uma geração que acompanhou o final de carreira do Vesgo, em meados dos anos 80. Vi poucas atuações suas pela TV, especialmente no São Paulo e no título mundial de clubes, pelo Grêmio. Mas através dos relatos de meu pai e de outros torcedores mais antigos do clube, consegui viajar no tempo e imaginar as diabruras do então cabeludo ponta-esquerda com a camisa do Vitória, no princípio dos anos 70. A turma da Velha Guarda enche o peito de orgulho ao falar daquela escalação, fechando com chave de ouro ao citar o ataque: Osni, André e Mário Sérgio.

Título conquistado na Toca foi apenas um, o estadual de 1972. Mas tem gente que não compreende ser o futebol muito mais que títulos, troféus ou estrelas. Tem a ver com vinculação a uma camisa, com o caminho que foi percorrido, enfim, tem a ver com amor. Tanto que, mesmo depois da fama crescente ao sair do Vitória, em 1975, Mário Sérgio não cansava de se declarar um torcedor do clube, sem qualquer obrigação de se expor dessa forma. Faço eco ao amigo jornalista Paulo Leandro: que se aposente a camisa 11 tão bem vestida pelo craque. Seria uma justa homenagem.

Outros jogadores com passagem pelo Vitória também pereceram no acidente. A situação mais chocante envolveu o meia Arthur Maia. Uma espécie de sentimento de remorso generalizado tomou conta de grande parte da torcida, pois o jovem jogador ganhou fama de eterna promessa na Toca e deixou o clube com a temporada em andamento, perseguido por vaias.

A verdade é que faltou paciência com o prata da casa. De todos nós. Daí entramos na paranoia do “e se”... Sim, pois ele fazia parte do elenco em 2016 e foi emprestado à Chape após mais uma vez não se firmar por aqui. E se ele tivesse uma sequência maior de partidas para se consolidar no time? Agora, de nada adianta supor qualquer coisa.

A tragédia que me arrancou lágrimas fez com que quase não lembrasse a heroica vitória rubro-negra ocorrida no mesmo dia, em Curitiba, praticamente nos livrando da queda. Marinho fez um golaço à la Messi, mas e daí? O pensamento estava apenas nas famílias das vítimas do voo fatal, a exemplo do filho do goleiro Danilo. O garotinho esperava entrar em campo ao lado do pai na decisão, algo comentado a mim pelo meu filho, arrasando meu coração ao perceber o quanto o fato em particular abalou minha cria, apaixonada por futebol.

Lembrei, ainda, que um mês antes me deparei com a delegação da Chapecoense aguardando uma conexão no aeroporto de Campinas. Cumprimentei os ex-rubro-negros Cléber Santana, Arthur Maia e o técnico Caio Júnior. Este último foi nosso treinador nas históricas goleadas de 5 a 1 e 7 a 3 sobre nosso maior rival, em 2013, e responsável por montar o time que fez a melhor campanha de um clube do Nordeste na Série A na era dos pontos corridos. Estavam sorridentes, felizes e unidos como uma autêntica família.

A Chapecoense já virou lenda. Tenho certeza de que ganhou espaço como segundo time na alma dos verdadeiros amantes desse belo esporte, que não se cansa de nos apresentar lições profundas sobre a vida. Vamo, vamo, Chape!!!!!

Saudações Rubro-Negras, hoje e sempre!

Período

Colunista:

Coluna:

De:

Até: