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José Raimundo Silveira

Olhar Rubro-Negro

Sex, 16/12/2016 às 07:10

O Vitória que queremos

Jornalista l olharrubronegro@gmail.com

Seja quem tiver sido o vencedor da eleição de ontem, o Vitória sairá fortalecido. Foi a impressão que tive no Barradão, onde compareci para exercer, como sócio, meu direito de votar. Não para presidente, ainda, mas para o conselho, que indicará o novo mandatário rubro-negro. Nos quase 40 minutos que passei na fila de votação, o que mais ouvi foram sugestões de como fazer o clube retomar o caminho do crescimento. O simples gesto de estarem ali, em horário comercial, demonstra que não falta gente disposta a construir um Leão mais forte.

O fato de existirem quatro chapas postulantes foi excelente. A pluralidade de pensamentos sempre será melhor que o bovino ato de dizer amém. Não pode ser assim. A união tem que ser apenas em nome do bem da instituição. Mas que existam diferentes maneiras de pensar o clube. Da discordância e da insatisfação com o atual estado de coisas nasce o progresso. O resto é bajulação a quem está no poder.

Ficou claro que o caminho para a democratização do Vitória não tem mais volta. A mobilização em torno da eleição demonstrou isso. Quem assumir o poder tem o compromisso moral de abrir o clube ao sócio, respeitando a democracia. Que hajam filtros como tempo mínimo de permanência como sócio, vá lá. Mas já passou da hora de o presidente do clube ser eleito de modo direto.

Que os vencedores estejam atentos aos anseios da torcida, que têm demandas crescentes por um Leão altivo e vencedor. O Vitória há muito tempo deixou de ser elitizado, como outrora. É popular, com torcida participativa e com discernimento. Ganhar estadual e apenas escapar de rebaixamento de divisão nacional é muito pouco para essa massa ávida por glórias. Queremos muito mais.

Que o próximo comando rubro-negro não se afaste desse norte. Estamos bem no basquete da NBB, dominamos o remo, brilhamos em outras modalidades, porém o foco é e tem que ser o futebol. Colocar em campo um time forte e competitivo é a razão final de possuir uma divisão de base estruturada, investir na modernização do Barradão ou adotar ações de marketing inovadoras. A torcida quer ver é bola na rede e troféus em profusão em nossa galeria. O resto, por mais importante que seja, é mera perfumaria.

O desfecho da nossa epopeia na Série A terminou com a permanência na elite. Algo que tem que ser registrado, pois a última vez que o Vitória brigou mais acirradamente contra o rebaixamento e conseguiu se manter foi em 1990 (caiu na última rodada em 1991, 2004, a Série B de 2005, 2010 e 2014).

O retorno de Marinho foi fundamental. Coloco aí 80% do sucesso em sua conta. O resto fica dividido entre Willian Farias, o treinador e a torcida, que abraçou a equipe nas rodadas finais. Dizem que a incompetência do Inter ajudou. Da mesma forma que o Vitória ajudou o fraquíssimo Palmeiras de 2014 a não cair. Mas vale lembrar que ganhamos as duas partidas contra o Inter esse ano. Além de vencer também no tapetão.

Poucas vezes vi o Leão tão dependente de só um jogador. De modo injusto, Marinho não figurou nas duas principais seleções da Série A: a Bola de Prata e a da CBF. Individualmente, foi o melhor jogador, seguido por Diego Souza, do Sport. O eleito foi o palmeirense Gabriel Jesus, mais pelo fato de ser do time campeão e por estar em ascensão na Seleção. Não carregou seu time, não foi decisivo e não brilhou tanto assim. Atuou acima da média um ou outro jogo, em um time que primou pelo jogo coletivo. Valeu a politicagem. De toda forma, muito obrigado, Marinho.

Saudações Rubro-Negras, hoje e sempre!

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