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José Raimundo Silveira

Olhar Rubro-Negro

Sex, 06/01/2017 às 07:15

O valor de um bom conselheiro

Jornalista l olharrubronegro@gmail.com

Existe um ditado famoso, um tanto sexista, a respeito de como a mulher pode influenciar o destino de uma relação. Ou ela puxa o homem para cima, ou puxa para baixo. Diria que vale para os dois sexos, afinal o que tem de homem mau caráter arruinando a vida de companheiras promissoras não dá para contar. O dito também se aplica no caso de empresários de jogadores. Bem assessorado, o atleta pode ter sua carreira impulsionada. Caso contrário, a exemplo de Marinho, os maus conselhos podem gerar problemas.

O episódio do pronunciamento de ontem do jogador na sala de imprensa do Vitória é prova desse assessoramento equivocado. O discurso em tom de despedida e agradecimento teve efeito contrário ao esperado pelos envolvidos, empresário e jogador. Se queriam forçar a barra para a saída, atraíram a repreensão da torcida. Ou pelo menos da maior parte dela, que vê o interesse do clube ser maior que o de qualquer atleta.

No mundo do futebol, é natural que o jogador busque a valorização financeira após um bom desempenho individual, como o apresentado por Marinho no Campeonato Brasileiro. É sabido que a carreira do jogador de futebol é curta, dura em torno de 15 anos, sendo mais ou menos metade deles no auge, com maior valor de mercado. Isso se o atleta não tiver a trajetória abreviada por uma lesão grave, o que não é tão incomum. Portanto, o momento de Marinho ganhar dinheiro é agora.

Na maioria dos outros ramos, o profissional contratado é pago para executar bem seu serviço. Existem casos em que se recebe algo a mais além do salário, como premiação por metas ou comissões por vendas. Os atletas também. Tanto que costumam pressionar dirigentes para o pagamento de prêmios por conquistas, o famoso ‘bicho’. Deveria soar como uma vantagem a mais, porém, na prática, vira quase obrigação por parte do clubes, sob risco velado de menor empenho para alcançar os objetivos em campo. No final das contas, é uma espécie de chantagem.

O grande porém da história é que Marinho tem contrato em vigor com o Vitória até dezembro de 2018. Um bom acordo, ressalte-se. Desejar melhorar os termos desse contrato vigente é uma coisa. Convocar a imprensa para um pronunciamento de despedida, afirmando que tem uma proposta irrecusável da China, sem o devido ressarcimento ao seu empregador, é outra bem diferente. Toda negociação deve ser boa para todos os lados envolvidos. Nos termos propostos, não seria boa para o clube.

O jogador está no seu papel de olhar a própria carreira. O empresário, maior influenciador do atleta, também está olhando seu lado, já que tem participação financeira nos direitos de Marinho. Por fim, a direção do clube fez bem sua parte, no sentido de defender os interesses do Vitória. Liberar o atleta sem o pagamento integral da multa, além de gerar prejuízo financeiro, provocaria um desgaste profundo da nova direção com a torcida. A postura altiva dos dirigentes na negociação foi a esperada pelos torcedores. Impor na marra uma transferência sem a devida compensação pode funcionar com clubes de várzea, não com um integrante da 1ª Divisão.

Que Marinho e seu empresário repensem a situação, pressionando o clube interessado chinês a arcar com a multa, em lugar de apertar o Vitória na parede. Sugiro, ainda, que em seu próximo acordo ele inclua uma cláusula prevendo desconto na multa em caso de proposta astronômica do exterior. É isso ou o cumprimento de seu contrato atual. Se ficar de birrazinha, o clube perde, mas o jogador se prejudicaria mais ainda.

Saudações Rubro-Negras, hoje e sempre!

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