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Levi Vasconcelos

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Dom, 01/01/2017 às 10:57 | Atualizado em: 01/01/2017 às 11:02

ACM Neto assume 2º mandato com desafio

tempopresente@grupoatarde.com.br

ACM Neto assume hoje o segundo mandato como prefeito de Salvador em circunstâncias bastante diferentes do primeiro. Em 1º de janeiro de 2013, ele tinha uma prefeitura a arrumar e uma cidade esculhambada, ainda sendo adversário do governador Jaques Wagner e da presidente Dilma e com a economia do país indo bem (ou parecendo bem). Ganhou. Chega agora em 1º de janeiro de 2017 com a prefeitura e a cidade ajustadas ao modo dele, o governador Rui Costa contra, mas o presidente Michel Temer a favor. Surge como principal nome da oposição para a disputa em 2018, mas com uma economia em crise, vitaminada pela Lava Jato. Neto diz que o ano começa cheio de incertezas, mas preparado para encarar.

Na Prefeitura — Diante do cenário, Neto admite que toda cautela é pouca:

— Seremos conservadores. Estamos preparados para contingenciar se as receitas do Tesouro (impostos) não forem como previstas. Se não, preservaremos a banda social, como o pagamento de servidores, que é sagrado, saúde e educação. E vamos levando.

Lava Jato — A expectativa dos governistas é que Neto apareça na delação da Odebrecht e com isso quebre o encanto que o coloca como bem avaliado. Ele se diz tranquilo:

— Não é por ser citado que está incriminado. Recebi doações em 2012, sim. Mas dentro da lei. O PT quer criminalizar tudo, quer jogar nas costas dos outros um problema que é dele. Se tiver que explicar algo, explicarei.

Situação de Temer — Impopular e bombardeado de denúncias, Michel Temer vai resistir? Para ACM Neto, sim:

— Dilma não caiu por impopularidade. Caiu porque era desarticulada no Congresso. E Temer tem uma base congressual forte. Não cai.

"A esperança surpreende e abre novos horizontes, torna capaz de sonhar aquilo que não é nem imaginável"

Papa Francisco, em sua mensagem de Ano Novo

"O Lula nunca gostou de mim. Os que sempre trataram de tudo com ele foram meu pai e o Alexandrino Alencar"

Marcelo Odebrecht, em depoimento aos procuradores da Lava Jato

Espólio desfeito

Apaixonado por Ituberá, onde começou a vida de construtor fazendo o porto da antiga Firestone (hoje Michelin), o empresário Norberto Odebrecht sempre estava lá com um helicóptero, de onde voava para a Serra da Papuã e tomava uma lancha, na qual ia para a ilha de Quiepe, propriedade dele, na entrada oceânica da baía de Camamu.

Os bens pessoais do velho Norberto estão sendo vendidos. O último foi a lancha.

Primeiro round

Instalado no início de dezembro, o portal da entrada na praia do Guaibim, em Valença, que uma das empresas do banqueiro Daniel Dantas doou a título de contrapartida pela liberação de um loteamento para milionários na Ponta do Curral, ruiu. Uma Topic cheia de cargas levou a bela obra ao chão.

Epigrama de Marcelo Nilo

Vista de longe, a pretensão do deputado Marcelo Nilo (PSL) de se (re) eleger presidente da Assembleia pela sexta vez consecutiva parece um absurdo intragável. Mas, quem conhece a engrenagem da Assembleia de perto e os adversários dele – Angelo Coronel (PSD) e Luis Augusto (PP) – se cala. Ou melhor, joga a indignação com Nilo (que é filho de Antas) no canto, tal é o desencanto com o cenário. O poeta Antonio Lins viu a deixa, mandou o epigrama:

Presidência a preencher,

Mesmo de clube de "antas",

Não há muito que escolher

Entre outros e outras tantas

POLÍTICA COM VATAPÁ

O milagre 2

Raimundo Pimenta, prefeito de Santo Amaro da Purificação, com 35 anos na primeira vez (depois conquistaria um segundo mandato), figura afável, mas pouco dado aos rigores da liturgia do cargo, lá um dia sumiu, tipo ninguém sabe, ninguém viu.

Diziam que ele estava com alguma mulher em um canto qualquer da Bahia. Quinze dias depois, 2 de fevereiro, festa de Nossa Senhora da Purificação, maior da cidade, de repente Pimenta entra na igreja ancorado em uma muleta, anda com dificuldade.

As atenções da missa dividem-se entre o padre e ele. Fim da reza, o público corre para cima: beijos, abraços e muitas explicações sobre o suposto acidente que teria sofrido.

Tão empolgado fica Pimenta que, na saída, esquece a muleta e anda normalmente, abraçado ao povo. Até que alguém atina:

— Prefeito, e a muleta?

Rápido susto, ele se vira para a igreja consternadamente:

— Minha Nossa Senhora, obrigado por mais este milagre!

Período

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