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Levi Vasconcelos

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Ter, 14/03/2017 às 11:24 | Atualizado em: 14/03/2017 às 11:26

Na reforma política, pode dar voto em lista

Levi Vasconcelos | tempopresente@grupoatarde.com.br

Entenda o caso: em 2014, quando as doações de campanha por empresas ainda eram legais, 338 candidatos disputaram na Bahia as 39 vagas de deputado federal e 672, as 63 de deputado estadual.

Somados, dá 1.010 candidatos, cada um com sua campanha. No Brasil, 18 mil candidatos custaram R$ 19,79 bilhões, segundo dados do TSE (sem contar o caixa-dois, óbvio). De onde tirar dinheiro para bancar a farra em 2018? Não tem, sem falar que o modelo adotado ano passado escancarou as porteiras para dinheiro inclusive do crime organizado.

Na audiência pública que a Comissão da Reforma Política realizou ontem pela manhã na Assembleia, ficou claro que em 2018 o jogo vai mudar. E o caminho que o relator da reforma, deputado Vicente Cândido (PT-SP), vai adotar é o voto em lista transitório para 2018 e 2022, para em 2026 se implantar o sistema distrital misto.

– E a Lava Jato com suas delações não pode prejudicar a reforma política?

– Não. Até ajuda. Estamos fazendo a reforma por necessidade. Ou vai ou racha.

Sem consenso — É óbvio que quando se fala em reforma política o único consenso é que não há consenso. Veja o deputado Zé Rocha (PR), que estava ontem na audiência:

– Sou contra o voto em lista. Vão botar o pai, a mãe, o filho e o neto na lista.

Mas é certo que tem muita gente que está se ensaiando hoje conforme as regras tradicionais, e as regras serão outras.

Voto obrigatório — Um ponto é quase consenso: se houver um plebiscito para o povo dizer sim ou não à obrigatoriedade do voto, com certeza o não ganha.

Mas no Congresso dá o sim. A convicção é a de que, se o voto não for obrigatório, se abrirá espaço para outro tipo de corrupção, a compra do interesse do eleitor por votar.

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Propostas para a reforma política são como a Seleção Brasileira. Todo mundo tem um time na cabeça

Lúcio Vieira Lima, deputado do PMDB e presidente da Comissão da Reforma Política da Câmara.

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Sempre existiu caixa-2. Desde a minha época, da época do meu pai e também de Marcelo

Emílio Odebrecht, depondo ao juiz Sérgio Moro.

 

Recontagem em SF

Numa decisão surpreendente, a juíza Bianca Gomes da Silva, de São Francisco do Conde, determinou a recontagem dos votos das eleições do ano passado no município. Diz a magistrada que, caso o resultado seja alterado, a diplomação que colocou no mandato o prefeito Evandro Almeida (PP) será anulada.

Na prática, nada vai mudar.

O caso — A questão é que ano passado o TRE cassou a candidatura de Ralison Valentim (DEM) por ser irmão da prefeita Rilza Valentim, falecida no mandato em julho de 2014. Com isso, os votos dela foram nulos e o resultado oficial deu Evandro, eleito com 16.151 votos, ou 91,17%, contra 1.565 (8,83%) de Messias Antônio (PMDB). Ralison teve pouco mais de oito mil votos. Apenas a votação será validada, mas só o percentual de Evandro vai cair.

Encontro em Camaçari

Claques contra e a favor do PT e do prefeito Antônio Elinaldo (DEM) fizeram a festa na solenidade de entrega de viaturas do corpo de bombeiros e assinatura de duplicação da estrada da Cascalheira, ontem, em Camaçari.

Rivais na eleição do ano passado, Elinaldo dividiu o palanque com o governador Rui Costa, o deputado federal Luiz Caetano (PT), derrotado na disputa, e sua ex-mulher, a deputada estadual Luiza Maia (PT).

Os petistas levaram algumas vaias, mas ninguém mais que Luiza. Ela se recusou a citar o nome de Elinaldo no discurso.

Fala Elinaldo — O prefeito Elinaldo tentou amenizar a situação:

– A política em Camaçari é assim mesmo, governador, a campanha não acaba nunca.

Logo depois passou a cobrar uma série de obras estaduais no município. Ele foi beneficiado porque os próprios parlamentares petistas fizeram a mesma cobrança nos seus discursos.

Fala Rui — Já Rui Costa se comportou como governador e não como petista. Parabenizou Elinaldo pela vitória e colocou o governo de portas abertas:

– Camaçari vai ter a maternidade concluída em 2018.

As obras estavam paradas desde 2012.

Jorge Calmon

Foi aberta ontem e fica até sexta, no saguão da entrada da Assembleia, a exposição que lembra a passagem dos 79 anos da Constituinte de 1947, reverenciando a memória do jornalista Jorge Calmon, sob a batuta da Associação Bahiana de Imprensa (ABI).

Fala Walter Pinheiro, presidente da ABI:

– Não tivemos a felicidade de conviver com baianos como Ruy Barbosa e Castro Alves, mas convivemos com Jorge Amado, João Ubaldo Ribeiro e Jorge Calmon, personalidades que muito contribuíram para a grandeza da Bahia. Homenageá-los, mais que um dever, é uma enorme satisfação.

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