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Luiz Teles

Luiz Teles

Seg, 02/01/2017 às 18:32 | Atualizado em: 02/01/2017 às 18:35

Não sabia, Não. Agora Sei.

Jornalista luiz.teles@grupoatarde.com.br

No início de 2015, meu amigo Harlei, morador de Fortaleza e torcedor do Ceará, garantiu para mim que seu time tinha o melhor jogador do Nordeste, e que ele ainda era banco. Minha primeira reação, claro, foi rir, apesar de ele ter dito isso com toda seriedade do mundo e sem uma gota de cerveja na cachola. Como assim ele era reserva e era o ‘ban-ban-ban’? Ele respondeu: “É só uma questão de tempo, aguarde”.

Passadas algumas rodadas, a profecia do meu bróder virou realidade. O tal cara não só havia assumido a titularidade do Vovô, como passou a ser protagonista de tudo de melhor que sua equipe produzia. Dois meses depois de nosso papo, Marinho marcava um golaço contra o Vitória, no Barradão, e sofria um pênalti para colocar o Ceará na final da Copa do Nordeste.

Lembro-me de contar essa história ao também colunista de A TARDE e companheiro de edição, Daniel Dórea, assim que o juiz finalizou o jogo, que terminou em 2 a 2. Concordamos que o cara era ‘meio doidinho’, mas que nem Bahia nem Vitória tinham sequer alguém parecido no ataque para fazer frente a ele (e olhem que Kieza estava em grande fase no Tricolor). Um ano e meio depois, vejo que nossa avaliação foi equivocada ou, ao menos, negligente. Na verdade, Marinho não era melhor apenas que todos os jogadores dos elencos da dupla Ba-Vi naquela época. Desde Uéslei (98-99) e Petkovic que os gramados baianos não recebem um atleta tão diferenciado.

Mas Marinho não faz valer seu futebol apenas pela habilidade e velocidade descomunais. Quantos jogadores, com a qualidade e importância que ele passou a ter para o clube, foram capazes de se doar de maneira tão intensa a um time brigando para não cair para a 2ª Divisão? Alguém lembra nos últimos tempos de algum atleta do Leão com um carisma tão peculiar e sincero, sem cheiro de marketing? De alguém tão destemido com a bola nos pés?

Numa temporada tão fraca para o nosso futebol baiano, o talento de Marinho em campo foi talvez o grande alento para quem quer algo mais do que apenas torcer por seus clubes. E é uma pena pensar (e quase ter a certeza) que em 2017 ele não estará por aqui para dar o ar de sua graça.

Hoje, o Vitória - e esse é também o caso do Bahia - não tem condições de mantê-lo, apesar do contrato até o fim de 2018. O abismo que o separa dos demais companheiros é gritante demais. No Leão, Não há mais o que progredir e nem voos mais altos a alçar. E, aos 28 anos, ele ainda tem campo para melhorar, sobretudo se tiver uma estrutura coletiva melhor como suporte. Enquanto nosso pobre futebol não pode dar isso a ele, nada mais justo que não cortem suas asas. Daqui, com certeza, ficará apenas a torcida por seu sucesso, de preferência em solo brasileiro.

2017

E aí, prontos para mais um ano de um tedioso campeonato baiano, eliminações nada tardias na Copa do Brasil e um Brasileirão de sufoco para não cair? Não?!!! Bem, se você acha isso mesmo, torça comigo para que o acaso faça de Bahia e Vitória o Botafogo de 2016.

De alento fica que, fora de campo, a dupla Ba-Vi me parece em boa direção, pronta para o futuro. Enquanto ele não chega, porém...

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