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Luiz Teles

Luiz Teles

Sáb, 07/01/2017 às 10:05

Opostos

Jornalista l luiz.teles@grupoatarde.com.br

No laboratório de ‘como-formar-um-time-competitivo-para-a-Série-A-com-um-orçamento-limitado’, os baianos terão em 2017 a oportunidade ímpar de analisar os resultados e desenvolvimento de duas linhas totalmente opostas de contratações. Pelo menos é o que é possível vislumbrar após os anúncios dos primeiros reforços da dupla Ba-Vi para a temporada em que disputarão exatamente os mesmos torneios oficiais. Enquanto o Tricolor tem apostado em atletas jovens e de perfil pouco conhecido do público, o Leão foi à caça de grandes presas, com jogadores de experiência e rodagem por grandes clubes.

Reformulando sua base de jogadores, o Vitória já trouxe o lateral direito Leandro Salino (31, vindo do Olympiakos), o zagueiro Fred (30, do Grêmio), e os meias Dátolo (32, do Atlético-MG) e Cleiton Xavier (33, do Palmeiras), além do meia-atacante argentino Pisculichi (32, do River Plate). Outros menos experientes, mas ainda assim tarimbados, são o volante Uillian Correia (27, do Santa Cruz) e o atacante chileno Pineda (27, ex-Cordoba, da Espanha). Fogem ao perfil apenas o ala esquerdo Geferson (22, do Internacional) e o meia Gabriel Xavier (23, do Sport).

Já o Bahia, que optou por manter sua base de 2016, tem se reforçado com atletas mais desconhecidos e de idade menor, como o atacante Gustavo (22, do Corinthians), os meias Diego Rosa (27, que estava no futebol japonês) e Zé Rafael (23, do Londrina), o lateral esquerdo Matheus Reis (21, do São Paulo) e o volante Edson (25, do Fluminense). Fogem da curva apenas o ala canhoto Armero (30, ex-Palmeiras e Flamengo) e o lateral direito Wellington Silva (28, do Fluminense).

Não vejo muito como prever qual das estratégias vai funcionar melhor ou fracassar. No futebol, há inúmeros casos de equipes de sucesso montadas das duas maneiras. Isso depende sempre de muitos outros aspectos, que vão desde à adaptação ao clube e à nova cidade, até (e o mais importante) a estrutura de elenco e do departamento de futebol que esses atletas encontrarão em Salvador. Nesse quesito, Bahia e Vitória estão bem parelhos, já que mantiveram no plantel seus treinadores da temporada passada, além de boa parte de seus titulares.

O que não resta dúvidas, para mim, é que ambos os casos são estratégias de risco. Caso firmasse acordos mais longos com os atletas, eu tenderia a reconhecer a aposta do Bahia como mais eficiente a médio e longo prazos. Contudo, o Tricolor traz seus jogadores por ‘experiência’, por períodos curtos, e embute em suas contratações a insegurança do ‘acaso’, infortúnio equivalente à probabilidade de que um ano inteiro se passe sem que os atletas de idade superior a 30 anos tenham lesões musculares frequentes e sofram com o recondicionamento.

De qualquer modo, vai ser curioso acompanhar o decorrer da temporada e os três Ba-Vis (no mínimo) que teremos em 2017. Mas preciso confessar que estaria muito mais satisfeito e feliz se Bahia e Vitória não precisassem correr tantos riscos, sobretudo porque uma escorregada mínima pode custar facilmente um novo rebaixamento.

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