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Luiz Teles

Luiz Teles

Sáb, 04/02/2017 às 10:05

Cereja para o bolo

Jornalista l luiz.teles@grupoatarde.com.br

O futebol profissional, masculino ou feminino, precisa de mais mulheres trabalhando (Foto: Raul Spinassé | Ag. A TARDE)

Prestes a encarar o maior e mais bem organizado Campeonato Brasileiro feminino da história, o São Francisco iniciou esta semana uma surpreendente reformulação em seu departamento de futebol, sobretudo pela mudança de cargo do ex-treinador Mário Augusto, agora coordenador da equipe. As alterações acontecem após o clube, campeão baiano por 15 vezes consecutivas, perder o título desse ano para o ascendente Vitória, que o derrotou nas semifinais da competição.

Há anos o São Francisco faz um excelente trabalho no futebol feminino. Frequentemente realiza peneiras pelo estado, assim como costuma trazer atletas de fora para compor o elenco principal. Desde seu nascimento, o time obteve excelentes resultados em nível nacional e alçou muitas jogadoras às seleções brasileiras profissional e de base. Bancado pela rica prefeitura da cidade, que tem um dos maiores PIB per capita do país, o clube é reconhecido no Brasil como uma potência da modalidade.

Acompanho já há um bom tempo a evolução do São Francisco (aliás, só para registrar, o A TARDE faz um trabalho ímpar em relação ao futebol feminino na Bahia). Não enxergo a saída de Mário Augusto da comissão técnica como um retrocesso. Sua ‘demissão’ não tem a mesma gênese das dispensas de treinadores Brasil à fora, que são fruto do pouco profissionalismo e inconsequência da maioria dos nossos dirigentes. Conhecedor como poucos do futebol feminino na Bahia e do Brasil, caberá a Mário, agora, a tarefa de manter a engrenagem da equipe rodando. Com seus anos de experiência, ele é o homem certo para a função, mais que necessária numa equipe que quer e precisa crescer ainda mais, sobretudo nesta nova era que se apresenta para o esporte.

Elogios feitos, acho que o que falta para o São Francisco hoje a cereja do bolo, aquilo que poderia diferenciá-lo ainda mais no esporte nacional. E a escolha desta nova comissão técnica poderia ser esse marco. A Prefeitura de São Francisco do Conde deve anunciar na semana que vem o nome do novo treinador. Segundo Mário Augusto, que não revelou detalhes, eles estão entre dois nomes. E como seria bom que ao invés de um comandante a equipe passasse a ter uma mulher à frente do futebol, assim como fez a seleção brasileira com a excelente Emily Lima.

Nomes para isso não faltam, locais inclusive, como Solange Bastos, ex-zagueira da seleção e técnica do Flamengo de Feira, além de consultora da FBF para as peneiras realizadas pela entidade. Assim como ela, várias outras mulheres têm chegado ao mercado com uma frequência exponencial. Sim, o território é marcado pelo domínio masculino. Na última Copa do Brasil, Emily Lima era apenas uma das seis mulheres que estiveram à beira do campo entre os 32 clubes que disputaram a competição. Mas no ano anterior, ela era apenas uma de três e, em 2014, uma de duas.

O futebol profissional, masculino ou feminino, precisa de mais mulheres trabalhando. Seu universo é machista e misógino, dentro e fora de campo, características, aliás, herdadas de uma sociedade que estranha e questiona uma menina que brinca com uma bola ao invés de uma boneca. É necessário mudar, romper esse 'paradigma', e ver isso acontecer por aqui, com a mais tradicional equipe de futebol feminino do estado, seria fantástico.

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