Colunistas


Luiz Teles

Luiz Teles

Sáb, 11/02/2017 às 10:15

Pressão sem cabimento

Jornalista l luiz.teles@grupoatarde.com.br

Na última quinta-feira, o Vitória completou seu primeiro mês de treinamentos na temporada. Com o clube sob nova direção e uma consequente grande reestruturação de seu elenco, o Leão de 2017 quase nada herdou de sua versão do ano anterior. Apesar de alguns remanescentes – o técnico Argel Fucks entre eles –, trata-se de um novo time. Uma equipe, inclusive, que além de ter perdido seu principal ponto de referência ao ver o atacante ser negociado para o futebol chinês, já não havia tido um bom desempenho em 2016.

Para a nova temporada, o Vitória trouxe nomes de peso no futebol brasileiro. Mesmo que, aparentemente, atletas como Dátolo, Cleiton Xavier e André Lima já tenham vivido os melhores momento de suas carreira, a impressão que eu tenho é que eles têm ainda muita 'lenha para queimar' e que suas contratações podem ser avaliadas como boas apostas. Ao lado de Kieza, David e Willian Farias, tendem a render, assim que a equipe ‘encorpe’.

O problema que motiva esta coluna está justamente neste ponto. Para que esse ‘Novo Vitória’ tome corpo, é preciso tempo e paciência. Contudo, não é nada disso que temos acompanhado nas últimas semanas, com um absurdo clima de pressão criado sobre o técnico Argel Fucks, inclusive com críticas públicas do diretor de futebol Sinval Vieira.

Argel não está dando continuidade a um ‘case’ de sucesso. Pelo contrário. Após chegar à Toca para apagar um incêndio emergencial e ajudar a salvar o time do rebaixamento, o treinador precisou reiniciar praticamente do zero seu trabalho. Perdeu Marinho e ainda começou o ano com 14 novos contratados, muitos deles fora de forma física e técnica.

Argel não é meu técnico dos sonhos. Longe disso, aliás. Não vejo em seu trabalhos anteriores elementos que o diferenciem no vasto, mediano e volátil mercado de treinadores brasileiros. Além disso, em seus momentos de maior sucesso, com o Figueirense 2014/2015, sua equipe tinha uma forma de jogar muito específica, baseada em contra-ataques e no aproveitamento de lances de bola parada. Perfil que nada tem a ver com a cultura do futebol no Vitória, e sobretudo com o elenco que vem sendo montado atualmente, com uma verve essencialmente ofensiva e de toque de bola.

Depois de cinco jogos oficiais em 2017, é fato de que o Vitória não está jogando bem, oscilando muito durante os 90 minutos e se mostrando desorganizado, sobretudo defensivamente. Mas como culpar Argel por isso? Seus críticos teriam em mãos um ótimo argumento se o treinador estivesse impondo ao time uma forma de jogar que não lhe condiz, mas esse não é o caso. Argel tem estruturado o Leão de maneira ousada, com um futebol propositivo e de posse de bola. O mal posicionamento da equipe em campo é muito mais fruto de sua total falta de entrosamento e forma física, do que das ideias táticas e capacidade de comando do técnico.

Montar um bom time de futebol, consistente e incisivo, não é tarefa para um ou dois meses. É um processo longo, de meses. É possível, que mesmo que tenha esse tempo em mãos daqui para frente, Argel não consiga fazer o Vitória jogar bem. Mas nada justifica culpá-lo por qualquer tropeço ou por um mau desempenho neste começo de temporada.

Período

Colunista:

Coluna:

De:

Até: