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Luiz Teles

Luiz Teles

Sáb, 04/03/2017 às 10:08

Quem é o próximo?

Jornalista l luiz.teles@grupoatarde.com.br

No complemento da 6ª rodada do Campeonato Baiano, realizada numa quinta-feira à noite, em meio à ressaca de Carnaval, mais dois técnicos deram ‘adeus’ precocemente a seus clubes. Com as saídas de Roberto Gaúcho, do Atlântico, e de Paulo Sales, da Juazeirense, o nosso cada vez mais combalido estadual assistiu a sua 11ª troca de treinador em pouco mais de um mês de competição. Das 11 equipes do certame, apenas Bahia (Guto Ferreira), Vitória (Argel Fucks), Fluminense de Feira (Arnaldo Lira) e Jacuipense (Clebson Araújo) mantêm seus comandantes desde o início da temporada.

Quem acompanha esta coluna sabe que sou um crítico do Baianão e da gestão do torneio, feita pela Federação Bahiana de Futebol. Mas não posso botar apenas na conta da entidade o absurdo de o campeonato ter quase duas trocas de treinadores por rodada. A realidade é que pouquíssimos dos nossos clubes têm o mínimo de profissionalismo para sobreviver à demandas do futebol atual, mesmo que no baixíssimo nível técnico e estrutural de nosso estadual.

Não dá para levar a sério um torneio disputado por tantos clubes sem planejamento. O comprometimento daqueles que participam do Baianão é baixo e certamente isso se reflete também no nível técnico da competição e no interesse do público pelo evento (aqui, a gente pode agregar a culpa da FBF, sem problemas).

E os números deste início de campeonato mostram bem isso. Para além das 11 trocas de treinadores, o Baianão é um fracasso absoluto de público e renda. Em 30 jogos, a renda líquida total do torneio (renda bruta com os descontos de aluguel do campo, quadro móvel, segurança, impostos etc.) é negativa, de R$ -88.287,84 (média de R$ -2.942,92 por jogo). O publico pagante total é de 60.438 (2.014 por partida).

Apresentei esses números a um amigo, fiel defensor do Baianão. Disse que as estatísticas são injustas, já que “o Ba-Vi ainda não aconteceu e que, tradicionalmente, é o clássico quem sustenta o estadual desde sempre”. Verdade. E é esse mesmo o problema. Há décadas, a grande maioria dos estaduais é sustentada por seus dérbis locais. Vale à pena? Não!

Repito o que já disse em outras colunas (esse ano, inclusive): há espaço no calendário brasileiro e até no coração dos torcedores para os estaduais, mas não neste modelo. Enquanto mudanças não acontecerem, o que nos resta é acompanhar esses campeonatos-zumbis, no aguardo ansioso do início do Brasileirão.

Argel

Argel não é meu técnico dos sonhos, nem da maioria dos torcedores do Vitória. Mas exceto por um problema grave extra-campo, seria muita falta de coerência da diretoria demitir o treinador neste início de temporada, ainda mais que apesar do mau futebol do Rubro-Negro em campo, os resultados não estão prejudicando o clube.

A construção de um bom time é um processo lento. O Vitória de 2017 é um time novo, recém formado, e que rpecisa de tempo para evoluir, seja sob a tutela de Argel ou de qualquer um, melhor ou pior que ele.

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