Sáb , 04/08/2012 às 17:45 | Atualizado em: 04/08/2012 às 17:45
Gabriel Serravale
As várias experiência musicais, gravações e composições de inúmeras letras e conquistas de prêmios ao longo da carreira não foram suficientes para frear o ímpeto artístico de Ivan Lins, um veterano da música brasileira. Aos 67 anos, o cantor e compositor carioca lança pela Som Livre o novo disco Amorágio.
Ao contrário do que o título possa sugerir, não se trata de um álbum pensado para falar apenas de amor. "Tem músicas românticas, mas é só uma coincidência. Não faço uma pré-concepção do que vou gravar. Dependo muito dos meus letristas. O disco tinha essa canção [Amorágio] e eu achei o nome bonito. Por isso escolhi para dar nome ao CD", explica o músico.
No entanto, o "amor" aparece na obra do artista, também, numa vertente além das relações sentimentais. "O amor é forte no meu trabalho mais por um lado humanístico. O amor à pátria ou algo conectado à realidade brasileira. Eu sou um ativista", afirma o cantor. Em Amorágio, Ivan Lins traz canções autorais (a maioria fruto da eterna parceria com o compositor Vitor Martins) que passam pelo samba, xote, fado, sertanejo, entre outros gêneros. "São músicas que simbolizam o meu universo musical. Eu não me importo com rótulos e nem me prendo a um único gênero. A minha preocupação é em fazer uma música bonita", observa.
E para cumprir este objetivo, o cantor resolveu reunir alguns convidados musicalmente admirados por ele. O disco conta com as participações especiais de Maria Gadú (Quem Me Dera), Antônio Zambujo (Fado Saramago), Pedro Luís (X no Calendário), a dupla Fioravante e Guimarães (Atrás Poeira) e Tatiana Parra (Amorágio). "Todas as contribuições foram maravilhosas. Pessoas de quem sou fã ardoroso. Tem muita gente boa que eu gostaria de convidar. Muita gente nova da música brasileira", diz.
Conexão baiana A Bahia também é lembrada por Ivan Lins em Amorágio. Ela surge nos versos da canção Roda Bahiana, um samba lançado em 1981, por Gal Costa, gravado, agora, pela primeira vez na voz do seu autor.
E essa lembrança não é por acaso. "Sempre tive uma ligação musical muito forte com a Bahia. Foi marcante para mim quando Gil e Caetano surgiram. Também a Gal [Costa] com o disco Domingo, que foi um dos mais importantes de minha vida", revela.
Essa ligação também tem outro motivo. “Tive sete tios por parte de pai, todos baianos da cidade do Conde. Quase fui um filho da terra”, brinca.
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