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Ter, 29/01/2013 às 09:11 | Atualizado em: 29/01/2013 às 09:39

Engessado em personagens bizarros, Pé na Cova não faz rir

Murilo Melo

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  • TV Globo | Divulgação

    Pé na Cova é cheia de extravagância no texto e muita crítica revestida em humor

Pé na Cova, estreia da Globo da última quinta-feira, 24, pode até ser - e é até o momento - o seriado da televisão brasileira mais próxima do que se pode ter de personagens esquisitos, do qual o público não ri do roteiro do autor Miguel Falabella em si, mas pela construção bizarra de seus personagens. Tudo ali é carregado, desde os figurinos, passando pela maquiagem, até os cenários.

Os tipos são, de longe, os mais variados e curiosos da TV: um pai que vê a sua família em decadência; uma mãe que maquia defuntos, é alcoólatra e ladra; uma filha que ganha a vida fazendo strip na internet; um filho que quer ser político sem ter qualquer noção do que isso representa e uma vizinhança que reclama da aposentadoria, do preconceito racial, da miséria etc. O problema está exatamente aí, Pé na Cova se preocupa tanto em inovar com seus tipos, que todos são jogados na história sem um propósito natural. O resultado é um produto engessado.

Pense em um personagem caricaturado e ele com certeza já terá batido ponto em Pé na Cova. A impressão que se tem até aqui, é que o seriado promete ser um recozido do que já se viu de Sai de Baixo (1996), Toma Lá Dá Cá (2007) e A Vida Alheia (2010), cheios de extravagância no texto e muita crítica revestida em humor, marca registrada de Falabella.

Com a proposta de misturar a comédia e a melancolia no mesmo prato, a série narra o cotidiano de uma família suburbana do Irajá, bairro popular do Rio de Janeiro. A história, como não poderia deixar de ser em todos os seriados que Miguel Falabella escreve, gira em torno dele próprio, dessa vez como Ruço, proprietário da Funerária Unidos do Irajá (FUI).

O patriarca comanda o estabelecimento ao lado da ex-mulher Darlene, vivida por Marília Pera. O casal tem uma filha chamada Odete Roitman (Luma Costa), que não vê nada demais em ganhar dinheiro se exibindo na web. A moça namora Tamanco, personagem interpretada pela cantora Mart´nália. O elenco principal fecha com o ator Daniel Torres, do qual dá vida a Alessanderson, o filho de Ruço que sonha ser vereador a qualquer custo.

Completa o time de tipos com nome esquisitos Adenóide (Sabrina Korgut), empregada da casa; Bá (Niana Machado), ex-babá de Ruço, que sofre de Alzheimer ; e Soninja (Karin Hils), irmã gêmea de Giussandra (Karina Marthin) nada parecidas, donas de um ponto de cachorro-quente na esquina.

O que leva a ter a sensação de déjà-vu em Pé na Cova não é a história em si. O público nunca viu uma sitcom brasileira que usasse a morte como plano de fundo para o humor, um ponto positivo, mesmo que o jeitão da família esquisita lembre o filme A Família Adams (1991), do diretor americano Barry Sonnenfeld, ou da série Six Feet Under (2001), de Allan Ball. Mas sim algumas semelhanças de seus personagens com outras obras de Falabella.

Ele, por exemplo, faz com que o telespectador perceba o reflexo de Caco Antibes, de Sai de Baixo, em algumas sequências do texto, desdenhando da pobreza apesar de estar no fundo do poço. A lembrança da parceria dele com Daniel Torres, em Toma Lá Dá Cá, também como padrasto e enteado, parece continuar fresca na memória do público.

Adenóide, a empregada que vem de outra cidade, lembra a Bozena (Alessandra Maestrini). Tem também a mãe liberal e compulsiva, como em Toma Lá Dá Cá. Quem fazia essa linha era Copélia (Arlete Salles) explorando sempre o sexo em seus diálogos. Dessa vez, é Darlene quem toma a cena, sempre com o álcool e o cigarro entre os dedos. Sem contar que é inevitável comparar Odete Roitman a Isadora (Fernanda Souza), também de Toma Lá Dá Cá. Ambas vivem soltas e fazem o que bem querem da vida, pouco se importando com o que o pai acha de seus comportamentos.

Na primeira cena, Falabella, como roteirista, faz crítica às famílias brasileiras que vivem de falsa aparência. Na trama, todos da família estrelam uma propaganda de margarina. Eles aparecem no comercial como não são: arrumadinhos, ricos, sorridentes, unidos, numa casa luxuosa. Não demora muito e, na cena seguinte, o público percebe a ilusão da família suburbana.

Outros detalhes chamam atenção negativamente. Nesse primeiro episódio, a morte, que até aqui foi anunciada como assunto principal do texto, vide seu título, demorou para aparecer. Os mais atentos perceberam que o assunto tomou conta de uma cena no segundo bloco e ponto.

Também houve muita preocupação em apresentar os personagens, com diálogos que não se adequam à linguagem da TV, mas que ficariam ótimos em uma peça de teatro. As cenas demoram, o humor é explicado. Falam errado demais a ponto do seriado se tornar cansativo, um convite ao sono.

Pé na Cova pode dar certo sim, mas antes é preciso encontrar o tom adequado, coisa que por sinal, Falabella, assim que perceber seus erros, sabe fazer muito bem.

Não convenceu
- É preciso tomar cuidado com certas coisas. Foi contabilizado mais de dez minutos de apresentação com os personagens sentados em um sofá, sendo que o eixo da história é uma funerária. Em televisão, cenas longas é um tiro no pé.

Convenceu
- Marília Pera, não teria como esperar por menos, aparece como a salvação deste seriado. Se alguém tinha dúvida do porque da atriz colecionar tantos prêmios, basta ver a sem moral e decadente da Darlene para entender de uma vez por todas o seu mérito.

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