Dom , 05/08/2012 às 21:33 | Atualizado em: 05/08/2012 às 21:38
Luana Almeida
Duas horas. Esta é a duração média de uma viagem de Salvador a Feira de Santana (a 108 km de Salvador). Este também é o tempo que a estudante Dayra de Carvalho Ferreira, 21, moradora do bairro de Cassange (na estrada CIA-Aeroporto), espera para conseguir pegar um ônibus até a faculdade onde estuda, em Lauro de Freitas. Cassange conta apenas com uma linha de ônibus em circulação.
Como se não bastasse o longo tempo de espera, Dayra precisa andar cerca de 30 minutos até chegar ao ponto de ônibus mais próximo, pois as ruas do local não são asfaltadas, o que impossibilita a entrada dos veículos de transporte público. “Por causa da dificuldade de transporte, fui quase reprovada por falta em duas disciplinas. A espera e a distância até o ponto são muito grandes. Quando chego ao ponto, já estou cansada, com os pés e as roupas sujas de poeira”, afirmou.
A realidade de Dayra não é um fato isolado. Esperar por um transporte coletivo já virou rotina para grande parte população que reside nos bairros situados nos limites de Salvador. De acordo com informações da assessoria de comunicação da Superintendência de Trânsito de Salvador (Transalvador), 2.742 ônibus fazem o transporte de 42 milhões de passageiros por mês na cidade. No entanto, nas localidades distantes, esse número é insuficiente.
Com a população de cerca de 4.600 pessoas, o bairro de Cassange conta com oito veículos que atendem apenas a uma linha, que vai da Estação Mussurunga até o Barro Duro. Além da pouca variedade da frota, os veículos só podem chegar até a altura da Pedreira Carangi por conta da falta de calçamento em toda a Estrada do Cassange, principal rua do bairro.
Frota reduzida - No bairro de Valéria, de segunda a sexta-feira, circulam 29 ônibus, que atendem a uma população de cerca de 26 mil habitantes. As linhas disponíveis são sete, que vão para a Estação Pirajá, Lapa, Pituba, Barroquinha, Campo Grande e Comércio. Mesmo com pavimentação e estruturas nos pontos de ônibus e demanda de passageiros, os moradores chegam a esperar cerca de uma hora para chegar ao trabalho.
É o caso da industriária Joice Gomes, 37, que diariamente sai de casa às 5h e só consegue pegar o ônibus até o centro da cidade, onde trabalha, às 7h. “Por causa da demora, o ônibus sempre passa lotado, é muito transtorno. Tenho sempre que pedir desculpas ao chefe pelos atrasos”, disse.
A escassez de coletivos nos bairros limítrofes tem prejudicado, também, o comércio. Em São Tomé de Paripe, que dispõe de uma frota um pouco maior – 34 veículos –, comerciantes reclamam que clientes deixaram de visitar a praia, principal ponto de lazer local, por conta da dificuldade de acesso. Proprietária de uma banca da praia em São Tomé, Raimunda da Palma Santos, 48, atribui o fraco movimento à carência de transporte coletivo no bairro. “A população deixa de conhecer uma praia bela como esta porque não existem ônibus suficientes para chegar até aqui, e isso prejudica o comércio”, disse.
A Transalvador esclarece que, para que haja um aumento ou qualquer reformulação da frota atual, é preciso ser feita uma licitação definitiva. “Por uma determinação do Ministério Público, nenhuma modificação pode ser feita no sistema de transporte até que seja realizada uma licitação definitiva para a exploração desse serviço”, explicou, em nota.
Denilton Glória, 06/08/2012 às 11:03
A 5ª tarifa mais cara do país e, muito provavelmente, devemos ter serviço de última categoria. Até quando os administradores permitirão tamanho descompasso? Quem está ganhando propina para fechar os olhos e não exigir a devida contra-partida? E o nosso ministério público? Onde está o MP-Ba??
Denilton Glória, 06/08/2012 às 10:56
O péssimo serviço de transporte coletivo em Salvador é uma realidade que acompanho há 40 anos. Nada muda para melhor, incrível! O valor da tarifa e as distâncias percorridas são extremamente desproporcionais e, ainda assim, não há alívio qualquer para o pesadelo diário vivido pela população.
edelson rios, 06/08/2012 às 04:19
Sou agente de Fiscalização de Transporte de Salvador,há 12 anos,sempre trabalhei nas periferias,conheço bastante os problemas.Esta semana estarei dando apio na Est.Mussurunga.tenho a dizer que além da restruturação prevista,a Justiça vem interferindo no sistema.E o caos é o trânsito.Conforme dados.
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Luciana Amaral, 06/08/2012 às 16:26
O próximo prefeito terá muito trabalho para resolver o problema do trânsito, seja na espera pelo transporte, seja pelos engarrafamentos. Pelo que vi Mário Kertész tem as melhores propostas, com uma linha de metrô que vai até Cajazeiras, e o VLT que vai folgar o nosso trânsito.