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Sáb, 25/08/2012 às 20:31 | Atualizado em: 25/08/2012 às 20:31

Corrigir deficiência na saúde é desafio dos prefeituráveis

Kleyzer Seixas

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  • Mila Cordeiro | Ag. A TARDE

    Na Unidade de Pronto Atendimento de São Marcos apenas cinco médicos atendem cerca de 300 pacientes p

Salvador está entre as 10 das 25 capitais que não possuem hospital municipal. A cidade aparece na 25ª posição de cobertura do PSF (Programa de Saúde da Família),  na frente apenas de Belém e Brasília, e ocupa o 12º lugar no ranking de acesso e qualidade dos serviços. São 10 UPAs (Unidades de Pronto Atendimento), 51 unidades básicas e 61 PSFs para uma população de 2,7 milhões de habitantes, a terceira maior do País. Com tantos indicadores negativos e uma estrutura insuficiente na saúde municipal, a maioria da população recorre aos hospitais estaduais para qualquer diagnóstico, do mais simples ao mais grave, o que  gera  sobrecarga da rede, filas  e atendimento precário.

Diante desse cenário, o próximo prefeito que ocupar o Palácio Thomé de Souza terá que corrigir inúmeras deficiências para oferecer um serviço de saúde mais digno aos soteropolitanos. São desafios que incluem a gestão de recursos, administração da rede - boa parte dela nas mãos de unidades filantrópicas -, melhoria da saúde básica, com mais investimentos no PSF, e elaboração de projetos para alocar mais recursos para o setor.

Investimento


A verba destinada à saúde - 15% da receita de uma cidade que não tem grandes rendimentos por não ter uma economia forte - não é suficiente para ampliar o investimento em novos hospitais  e no aumento da equipe técnica. Em 2011,  R$ 879 milhões - R$ 400 milhões do orçamento municipal e R$ 479 milhões do governo federal - foram destinados ao custeio, com compras de remédios, pagamento de pessoal, manutenção das instalações e limpeza; além de aplicação em programas. Mas, ainda assim, muita gente reclama da estrutura e da falta de remédios.

O financiamento para a saúde é considerado aquém para uma cidade como Salvador, avalia o professor de políticas de saúde da Ufba (Universidade Federal da Bahia), Jairnilson Paim. Para driblar esse problema, o especialista crê que o próximo gestor da Secretaria Municipal da Saúde (SMS), pode investir na elaboração de projetos para captar mais recursos. Para Paim, é impossível "a gestão fazer milagre sem dinheiro". "Se o Ministério da Saúde não pode bancar esses projetos, deve-se buscar outras fontes de financiamento, como o BNDES, o Banco Mundial (Bird). Essas instituições financiam tantos projetos, e por quê não na saúde?", questiona.

Com a constante troca de comando na SMS é complicado elaborar um bom planejamento para captação de recursos, já que, com a mudança do gestor, toda equipe é modificada também. Nos últimos oito anos, a pasta teve seis secretários. Para o pesquisador, não há condições de ter uma administração razoável com tamanha rotatividade. "Quando a saúde é usada como moeda de troca, é a própria saúde que torna-se refém", argumenta.

A transparência na gestão dos recursos é um dos pontos questionados pelo Conselho Municipal de Saúde (CMS). O diretor da entidade, Antônio Manoel, embora assuma que o CMS não possui equipe técnica suficiente para fazer a avaliação contábil das aplicações, afirma que existem dificuldades para se ter acesso ao componente financeiro. "Assim, ficamos sem ter informações sobre as questões das reformas, da implantação das UPAs".

Os atrasos no repasse de verbas às empresas administradoras dessas unidades comprometem o serviço oferecido à população. Nesta semana, cerca de 800 pessoas deixaram de ser atendidas, por dia, devido à greve. Questionada, a SMS se limitou a responder que efetivou o repasse na sexta-feira, 17, oito dias após o quinto dia útil para pagamento, sem informar o motivo do atraso. A demora em fazer repasses culminou, nesta semana, com a paralisação do 16º Centro. Em 2011,  por esta mesma razão, ocorreu a desfiliação do Hospital Irmã Dulce das UPAs da Boca do Rio e de Pernambués.

Embora as UPAs funcionem como atendimento de emergência, 10 unidades é número insuficiente para atender a demanda da terceira maior população do Brasil. Embora os 51 postos de saúde cubram vacinação, acompanhamento gestacional e ambulatorial, as UPAs acabam recebendo uma demanda diária grande. Muitos dos casos, inclusive, não se encaixam no perfil de atendimento. Na UPA de São Marcos, administrada pelo Monte Tabor, 80% dos pacientes deveriam receber atendimento nos postos de saúde, por se tratar de diagnósticos menos complexos, segundo o diretor Aurélio Andrade.

Demora

Na unidade, muitas pessoas demoram, em média, cerca de 3 horas na espera. São, no total, cinco médicos para cerca de 300 pacientes por dia. No local, acontece de pacientes permanecerem no posto por mais de cinco dias internados, devido à falta de vaga em hospitais estaduais.

É a deficiência na saúde básica, atendida pelo PSF, que congestiona os postos, as UPAs e os hospitais estaduais. Por isso, o próximo gestor, na avaliação de Aurélio Andrade, precisa investir mais na saúde básica para evitar  sobrecarregar a rede especializada. "Se uma pessoa tem problema cardíaco, ela não precisaria ir até um posto de saúde. Se tiver acompanhamento em casa, isto evita que busque atendimento fora".

Outro ponto que mostra como a saúde básica precisa receber atenção especial, é a mudança de perfil do brasileiro, segundo o professor  Jaimilson Paim. "A população cresceu, envelheceu, o quadro epidemiológico foi modificado, mas o atendimento, desde o básico ao especializado, não acompanhou essas mudanças".

SAÚDE

MÁRIO KERTÉSZ (PMDB)

Experiência - Passei os últimos 18 anos prestando um serviço à sociedade, ouvindo  vítimas da falta de qualidade e de médicos nos postos, por negligência e leniência das secretarias. E, tendo os ouvintes como meus amigos,  sim, conheço pessoas que sofrem com os problemas na saúde

Proposta - Aumentar a cobertura de atendimento do PSF para 40%; fazer controle da frequência de médicos; afastar política da área de saúde; garantir medicamentos e instrumentos necessários nas unidades; construir um hospital municipal; garantir mais  segurança nos postos de saúde

NELSON PELEGRINO

Experiência - Conheço pessoas que precisaram de atendimento e conseguiram com muita dificuldade, desde  o atendimento na área ortopédica até em atendimento para pessoas com problemas de  pressão. Me interesso pela saúde, meu pai era médico

Proposta - Investir 20% da receita na saúde; articular parceria com União para captar mais recursos; cobrir toda a cidade com PSF; ter uma UPA em cada distrito sanitário; organizar a rede para desafogar hospitais; investir no atendimento odontológico, para idosos e nos Capes; garantir mais segurança nos postos com Guarda Municipal

HAMILTON ASSIS (PSOL)

Experiência - Meus pais dependem do atendimento do SUS. Meu pai, Galdino José de Assis, de 79 anos, ficou 30 dias internado em um hospital público, o São Jorge. Só depois de um mês, conseguimos  transferência para outro, o Hospital Santo Antônio, para que pudessem fazer o diagnóstico

Proposta - Investir na prevenção das doenças com aumento da cobertura do PSF; democratizar a gestão da saúde, com a participação popular; clareza na prestação de contas à população; aumentar as unidades de atendimento, como os postos de saúde, os  Capes e as Unidades de Pronto Atendimentos

ROGÉRIO DA LUZ (PRTB)

Experiência - Precisei do HGE quando quebrei a minha vértebra, em dezembro do ano passado. Fiquei no corredor do hospital, e   acabei pedindo para ser transferido para a minha casa. Minha filha também ficou internada no Roberto Santos por causa de uma infecção urinária

Proposta - Ampliar a cobertura do PSF;  aumentar o número de postos de saúde, com funcionamento 24h; criação de hospital municipal em Cajazeiras; aumentar remuneração dos médicos; apostar na parceria com hospitais privados, melhorar estrutura dos postos de saúde; garantir medicamentos nos postos.

MÁRCIO MARINHO (PRB)

Experiência - Tenho contato com várias pessoas pobres, humildes, que precisam de atendimento do SUS. Em período de campanha, quando se tem problema de saúde, você busca atendimento em postos de saúde, e é horrível

Proposta - Garantir o melhor funcionamento dos postos de saúde da cidade, contratando mais médicos e enfermeiros e garantindo remédios em todas as unidades cobertas pela prefeitura; abrir policlínicas 24 horas nos 12 distritos sanitários de Salvador, com atendimento pediátrico e geriátrico; construção do  hospital municipal no bairro de Cajazeiras

ACM NETO (DEM)

Experiência - É o problema mais grave da cidade. Conheço a realidade porque tenho andado por Salvador, e onde quer que eu chegue
a queixa de toda a população sobre a qualidade da saúde pública é generalizada

Proposta - Priorizar atenção à saúde básica, para evitar que pacientes se dirijam às  redes especializadas para tratar casos que podem ser solucionados em postos; cobrir 50% da população com PSF em 4 anos; criar centros de atenção básica nos 12 distritos sanitários, com clínicas e núcleo de diagnose; hospital municipal em Pau da Lima, através de PPP; implantar maternidades

comentários(2)
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Thainara Almeida, 15/09/2012 às 12:43

Gostaria de saber como vai ficar a situação do Hospital Aristides Maltez , e quais projetos esses ditos "candidatos" possuem para evitar de o hospital passar por apertos . Coisa que eu ainda não vi eles se pronunciarem .

Carlos Antônio da Silva Lopes, 26/08/2012 às 12:35

Melhor esclarecer e conscientizar a população: o que é necessário, de verdade, é libertar o Serviço Público do domínio de políticos e uso do poder como moeda de troca nos serviços essenciais. Chega de mega projetos, queremos serviço público autônomo e eficiente. Senhores Políticos, não atrapalhem!

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