Centro Norte Baiano

Da Redação Qua , 29/05/2019 às 16:29 | Atualizado em: 29/05/2019 às 19:31

Estudantes de Feira de Santana cria orquestra de sanfona



Estudantes da Escola Estadual Irmã Rosa Aparecida, localizada no Dispensário Santana, em Feira de Santana, criou uma orquestra de sanfona para ampliar a aprendizagem por meio da arte musical. A iniciativa é parte do projeto Fortalecendo Laços IV - Acordeando, que tem como proposta estimular o protagonismo juvenil, por meio da arte, da cultura e do esporte, de alunos da unidade escolar, bem como de crianças, adolescentes, jovens e adultos da comunidade do entorno.

Antes do Acordeando, a professora Ana Cristina Silva, coordenadora do projeto, conta que foi criada uma oficina de acordeon, em 2015, como forma de realizar um desejo da gestora do complexo, Irmã Rosa. “Hoje temos cerca de 20 estudantes, entre dez e 18 anos, da escola e da comunidade, participando da orquestra, que realiza ensaios diariamente, no período oposto ao das aulas. Com o projeto, os estudantes aprendem a ler partituras e aprofundam o conhecimento sobre a cultura regional de várias formas, desde o estudo sobre a história da música e de artistas consagrados, até a relação do instrumento com o modo de vida do nordestino e como é usado em outras regiões do país”, relatou.

A coordenadora falou, também, sobre outros impactos do projeto no processo de ensino e aprendizagem dos estudantes. “Depois das oficinas de acordeon, os estudantes ficaram mais disciplinados. Muitos se identificaram com a arte, por meio da música, e querem seguir carreira. Eles perderam a timidez e elevaram a autoestima”.

Regida pelo maestro Val Santana, a orquestra se apresenta em atos comemorativos do município, bem como em aberturas de conferências, encontros e seminários nas escolas públicas, privadas e faculdades. Para os festejos juninos, os integrantes preparam um repertório com muito xote, xaxado e baião. Músicas religiosas também entram no repertório da orquestra. O repertório, destaca o maestro, é produzido em conjunto. O professor indica algumas músicas e os estudantes escolhem as que mais os agradam.

O estudante Talisson Coutinho, 16, 9º ano do Ensino Fundamental II, que faz parte da orquestra há dois anos, diz que escolheu participar das oficinas de acordeon por ser um instrumento que tem um som encantador. “Tocar acordeon é bom demais. Quando estou tocando, viajo nos meus pensamentos. Durante esse período que estou no grupo, estudo muito sobre a importância desse instrumento na música, sua história e quem são os maiores sanfoneiros do país para me inspirar neles, pois quero me profissionalizar na área, ser um grande sanfoneiro”.

A colega Railane Sampaio, 14, a única menina do grupo, diz que resolveu participar da orquestra depois de uma visita à oficina de acordeon. “Fiquei encantada com o som da sanfona. Foi algo que me conquistou. Pensei logo: é isso que quero para mim, para minha vida. No começo fiquei um pouco tímida por só ter meninos, mas ao longo do tempo fui acostumando. Os meninos me deram apoio e, hoje, somos um grupo unido. Agora busco incentivar outras meninas a participarem, porque acredito que seria bem legal ter um número maior de mulheres tocando sanfona e, quem sabe, até criar uma orquestra de sanfona só de meninas”.