Extremo Oeste Baiano

Da Redação Qua , 31/01/2018 às 10:05 | Atualizado em: 31/01/2018 às 10:07

Agricultores baianos investem em pesquisas sobre o uso de pó de rocha como nutriente para o solo



Os agricultores baianos vão poder investir em pesquisas para utilizar a eficiência do pó de rocha moída, com o objetivo de liberar mais potássio no solo como fonte de nutriente para as plantas, a baixo custo. Os estudos serão liderados pelo pesquisador da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (EMBRAPA) Cerrados, Éder de Souza Martins, que apresentou para produtores e técnicos do Oeste da Bahia os resultados favoráveis do uso de pó de rochas silicáticas como fontes de potássio para o solo na agricultura. A ação será realizada através da Fundação Bahia, da Associação Baiana dos Produtores de Algodão (ABAPA) e da Associação dos Agricultores e Irrigantes da Bahia (AIBA).

O pesquisador da EMBRAPA reforçou que o uso adequado de agrominerais silicáticos simula processos naturais de renovação do solo e podem fornecer potássio, cálcio, magnésio, silício e outros micronutrientes, além da produção de argilominerais e acúmulo de matéria orgânica. “Temos dois fornecedores de mineralizador próximos à região, em Dianópolis (TO) e Formosa do Rio Preto (BA), que podem atender a demanda local. Mas, antes, vamos testar se as rochas têm potencial de uso agrícola nos solos da região. E, para isto, faremos os testes em casas de vegetação e no campo experimental da Fundação Bahia, em Luís Eduardo Magalhães, para comprovar a eficiência e potencialidade do pó de rocha para liberar nutrientes”, afirma Martins, que desde o ano 2000 conduz os estudos sobre diversos remineralizadores (insumos formados por rochas silicáticas moídas) oriundos de rochas abundantes no Brasil.

Durante a explanação aos técnicos e produtores, na segunda-feira (29), a presidente da Fundação Bahia, Zirlene Zuttion, reforçou que “todos os estudos que possam reduzir os custos para os agricultores são incentivados na entidade”. Já o presidente da ABAPA, Júlio Cézar Busato, destacou a importância de avançar no uso da tecnologia em todos os processos que envolvem a produção agrícola. “Pelos resultados já alcançados na prática, temos certeza de que depois dos estudos específicos para a nossa região, o uso dos remineralizadores poderá ser uma realidade para trazer mais produtividade com menor custo para o produtor”.

Segundo pesquisa da EMBRAPA, 95% do potássio usado na agricultura é importado, sendo que boa parte dos remineralizadores são ricos nesse mineral, além de conter cálcio e magnésio. Além de nutrirem as plantas, os remineralizadores podem, dependendo da fonte, contribuir para a correção do alumínio tóxico no solo e melhorar a capacidade de troca de cátions (CTC) do solo, propriedade importante para a retenção de nutrientes.