Extremo Oeste Baiano

Da Redação Sex , 09/02/2018 às 08:47

Primeira nascente de rio em São Desidério está sendo recuperada



O acordo de cooperação técnica para a recuperação da primeira nascente do Rio São Desidério, firmado entre os produtores rurais e a Prefeitura de São Desidério, por meio da Associação Baiana dos Produtores de Algodão (ABAPA) e da Associação dos Agricultores e Irrigantes da Bahia (AIBA), foi iniciado no povoado de Jataí (25 km da sede do município). A ação engloba curso de capacitação dos técnicos que serão responsáveis por desenvolver o trabalho, também, em outros 16 afloramentos de lençol freático de São Desidério, segundo maior município baiano em extensão territorial e maior produtor de algodão do Brasil.

O agrônomo Renato Rios, responsável pelo treinamento, destaca que os integrantes da capacitação utilizam a técnica “caxambu”, que protege o afloramento do lençol por meio de uma cobertura construída, naturalmente, com pedra e argila, evitando o acesso do afloramento do pisoteio do gado e do assoreamento com terra carregada pelas chuvas. “Estimamos que nessa nascente sejam produzidos 200 mil litros de água por dia. Embora, aparentemente, não haja nenhum tipo de obstrução do 'veio d’água', a técnica é importante para proteção futura e melhor uso de quem precisa de água perene e potável”, afirma Rios.

O profissional explica que foram escavadas pequenas valas laterais, na estrada próxima ao afloramento, para impedir o assoreamento do ‘veio’ pela força das águas das chuvas. O perímetro de 50 metros no entorno da nascente também foi cercado para evitar a circulação de animais, principalmente o pisoteio do gado. O secretário de Meio Ambiente de São Desidério, Joacy Carvalho, reforça a importância do trabalho executado em parceria com os agricultores, por meio da ABAPA e AIBA. “Temos mais de 400 nascentes mapeadas e devem existir mais afloramentos. Já havíamos protegido outras duas nascentes. Os produtores ajudaram a impulsionar este projeto”, afirma.

O presidente da Abapa, Júlio Cézar Busato, ressalta que os produtores da região estão cada vez mais preocupados com o meio ambiente. Segundo ele, um estudo da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (EMBRAPA) mostra que os agricultores são quem mais preservam o meio ambiente e mostra que 64% do cerrado da Oeste da Bahia encontra-se preservado, sendo a maioria em área dos próprios produtores. “Quando falamos do uso das águas, somente 8% da produção da região é irrigada, sendo utilizado o regime de chuvas para plantar grãos. O incentivo na recuperação das nascentes, juntamente com a adoção de técnicas de produção sustentáveis, mostra o quanto somos preocupados com os rios e com o meio ambiente”, destaca.