Metropolitana

Claudia Lessa Qui , 09/08/2018 às 10:51

Exporural 2018 recebe II Exposição de Cachaças do Nordeste



Embora as cachaças baianas já tenham ganhado o mundo, em especial os mercados da Europa, Ásia e África, pesquisas apontam que o mercado interno ainda precisa ser explorado e expandido. Com o objetivo de apoiar a organização do setor e divulgar a bebida que é símbolo do Brasil, a Exporural 2018 – que começa domingo (12), no Parque de Exposições de Salvador, e vai até o dia 19/8 – recebe a II Exposição Cachaças do Nordeste. Aberta à visitação em todos os dias da Exporural, das 8h às 20h, a mostra reunirá apreciadores, comerciantes e mestres de gastronomia.

Os visitantes poderão apreciar uma variada carta de rótulos de cachaça e decoração das garrafas, além da preparação de drinques e pratos típicos que levam a bebida como ingrediente de destaque. Na programação gastronômica, chefs regionais, internacionais e convidados apresentarão pratos que fazem sucesso e irão ministrar aulas na “cozinha show”, montada no estande da Kikaxassa, loja que comercializa mais de 20 rótulos, na sua maioria baianos. Já a Cachaça Limoeiro, produzida no município de Feira da Mata, traz para o evento a harmonização da cachaça com o charuto, já popularizada em alguns países como Panamá e Itália por clubes e confrarias.

Estima-se que no Brasil existam cerca de 40 mil produtores de cachaça e que a Bahia tenha atuação de 17,5% em relação a esse total, sendo que a produção é predominantemente de cachaça de alambique de pequenos produtores. De acordo com o Instituto Brasileiro da Cachaça (IBRAC), a produção nacional da bebida alcança 1,5 bilhão de litros anuais e movimenta cerca de R$ 7 bilhões por ano. Na Bahia, calcula-se que existam mais de 200 pontos para o comércio e apenas cerca de 30 registrados no Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA), com uma produção de mais de 60 milhões de litros por ano (300 mil litros dos produtores registrados e em ascendência).

Cachaça artesanal

A Bahia ocupa o segundo lugar no ranking de cachaça artesanal de alambique no Brasil. Os principais polos produtores no Estado são Chapada Diamantina, Oeste, Extremo Sul e Recôncavo e no país, São Paulo, Pernambuco, Ceará, Minas Gerais, Bahia e Paraíba. Dados do Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (SEBRAE) revelam que menos de 1% do volume total produzido é destinado ao mercado internacional.

O técnico e especialista Nelson Luz Pereira afirma que a falta de condições do agricultor para modernizar suas agroindústrias, a clandestinidade e as falsificações são gargalos do setor. “Precisamos de incentivo para implementação de políticas públicas para a cadeia produtiva. A certificação é fundamental para que os produtores ganhem competitividade e consigam alcançar o mercado externo. Além do selo, o produto precisa estar em conformidade com as regras do Instituto Nacional de Metrologia, Normalização e Qualidade Industrial que estabelece critérios rígidos aplicados a cada fase da produção, vigiando questões sanitárias e a qualidade final do produto”, pontua.

As etapas para a produção da cachaça artesanal (ou de alambique) começam no plantio da cana-de-açúcar e passam pela colheita, fermentação, destilação em alambiques de cobre e envelhecimento em tonéis de madeiras nobres. Este processo confere à cachaça da Bahia características exclusivas, como aroma atraente, suavidade e sabor peculiar. “Da Chapada ao Litoral, não existe cachaça igual. Cada uma com suas características, definidas a partir do microclima da região de origem e do envelhecimento nos barris de carvalho, jequitibá ou jaqueira”, defende Nelson Pereira, que atua desde 1985 na produção da Cachaça Abaíra, produzida pela Associação dos Produtores de Aguardente da Microrregião de Abaíra (APAMA).

O preconceito em relação ao consumo da cachaça, ainda segundo o técnico, está sendo desmistificado com a realização de pesquisas e a partir do seu uso na gastronomia. “Os chefs descobriram que, além da cerveja e vinhos, têm a disposição a cachaça. As cachaças in natura também são muito valorizadas, sobretudo na confecção de drinks e coquetéis, pois agrega a qualquer iguaria ou fruta, agradando aos diversos paladares. A cachaça pode harmonizar com tudo, desde carnes das mais nobres (cordeiros, novilha, peixes, crustáceos e aves) a sobremesas (peras flambadas na cachaça, ficam perfeitas)”, observa Pereira.

Exporural 2018

Feira agropecuária das mais importantes do Norte-Nordeste, a Exporural 2018 apresentará 1,5 mil animais, entre equinos, bovinos, caprinos e ovinos; mostra de cães; culinária regional e parque infantil, além da mostra de cachaças do Nordeste. A programação também prevê julgamentos, leilões de animais e torneio leiteiro das raças bovinas Gir e Girolando. Ao todo serão quatro leilões envolvendo as raças Santa Inês (de ovinos), Girolando (de bovinos), além da Pampa e Mangalarga Marchador (de equinos). A expectativa é que haja uma movimentação financeira de R$20 milhões com leilões e vendas indiretas de animais, maquinários e implementos agrícolas.

Realizada pela Central das Exposições, representada pela Associação de Criadores de Caprinos e Ovinos da Bahia (ACCOBA), a Exporural tem a expectativa de receber 100 mil visitantes, com ingressos a R$ 10 e entrada gratuita para crianças até 10 anos e adultos com mais de 60 anos. Na segunda e terça- feira (13 e 14/8), o acesso é gratuito. O evento tem apoio do Governo do Estado da Bahia, através da Secretária de Agricultura do Estado (SEAGRI) e parceria com a Federação da Agricultura e Pecuária do Estado da Bahia (FAEB) e Serviço Nacional de Aprendizagem Rural (SENAR).