Da Redação Sex , 13/04/2018 às 10:41

Crianças e jovens autistas devem ser incluídos na comunidade escolar



Estima-se que 70 milhões de pessoas no mundo possuam algum tipo de autismo. No Brasil, esse número chega a 2 milhões. O Transtorno do Espectro Autista (TEA) tem causas ainda incertas e não possui cura mas os pacientes podem ser reabilitados e tratados para que possam se adequar ao convívio social da melhor forma possível.

Segundo o Censo de Educação Superior (2016), entre os mais de 8 milhões de alunos matriculados em universidades brasileiras, 488 mil têm autismo. Desses, 43,44% estão em instituições de ensino públicas e 56,56%, em privadas. Essa inclusão é um direito e está prevista na Lei Federal nº 7.853/89 – e deve ser cumprida.

É muito importante que o diálogo sobre a inclusão seja constante e evolva toda a comunidade escolar. Porque, quando se fala de uma criança e jovem com autismo muitas dúvidas vêm à tona, em função de suas dificuldades peculiares de aprendizagem, como comunicação, socialização, comportamento e processamento sensorial.

O convívio escolar é fundamental para o desenvolvimento de uma criança com autismo. Leia Bispo, que é mãe de Arthur Rodrigues da Silva, 5 anos e portador do TEA, conta que como a escola é fundamental para o desenvolvimento do seu filho. “Arthur tem um autismo muito severo. Ele não gosta de barulho e precisa de uma cuidadora sempre ao seu lado. Na escola, ele tem que aprender a conviver com outras crianças e precisa lidar com o barulho e a grande movimentação na hora do intervalo. Tudo isso, faz com ele aprenda a lidar com suas limitações”.

Para Leia não foi fácil aceitar que o seu filho era uma criança autista. Mas ela afirma que sempre percebeu que ele era uma criança especial. “Desde os sete meses, percebi que ele tinha algo diferente. No começo, é sempre um choque. Tive que adaptar a minha vida toda. Também faço terapia para aprender a lidar melhor com tudo isso. Conhecer outras mãe é essencial para uma melhor aceitação”, conta.

Arthur Rodrigues estuda no Educandário Santa Flora e tem bolsa de 50% pelo Educa Mais Brasil. Mesmo com a inclusão escolar de Arthur, Leia diz que não é fácil para que as professoras saibam como lidar com o autismo de seu filho. “Ele precisa de acompanhamento o tempo todo. Até a alimentação dele é bem diferente porque a dieta adequada reflete no comportamento. Ele também precisa chegar mais tarde todos os dias e tem passeios que ele não pode ir. Mas ele é muito bem aceito lá”, avalia.

Estudos promovidos pelo Departamento de Psicologia da Universidade de Stirling na Escócia mostram que pessoas como Transtorno do Espectro Austista (TEA) demonstram maior habilidade para apresentar soluções criativas para problemas de difícil resolução.

Essas características criativas pode ser aproveitadas para ajudar no desenvolvimento escolar, desde que o sistema de ensino esteja preparado para acolher esses estudantes. As crianças como o TEA também podem apresentar vasto conhecimento em áreas específicas, como matemática e memorização de datas históricas.

Mesmo com a dificuldade de socialização e todas as outras particularidades de um jovem e uma criança autista, nada impede que eles tenham uma vida normal e frequentem a escola ou uma universidade. Se você tem um filho portador do TEA, não deixe de oferecer para ele uma educação de qualidade. O Educa Mais Brasil oferece bolsas de estudo tanto para a Educação Básica, como para a graduação.

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Entenda o Autismo

De acordo com o Manual de Diagnóstico e Estatística dos Transtornos Mentais, a sigla “TEA” é a nomenclatura mais moderna. Várias condições ligadas ao autismo foram englobadas em um único diagnóstico. Assim, fazem parte do TEA o autismo propriamente dito, a Síndrome de Asperger, o transtorno desintegrativo da infância e o transtorno generalizado do desenvolvimento não-especificado (PDD-NOS).

Dos alunos de universidades brasileiras com TEA, 255 deles têm sintomas do chamado “autismo clássico”, que costuma ser diagnosticado por volta dos 3 anos de idade. E 233 alunos, possuem a Síndrome de Asperger.

Entre os sinais mais comuns do autismo clássico estão, dificuldade em interação social, não reagir a emoções e fazer movimentos repetitivos. Já os sinais de Síndrome de Asperger são desinteresse em compartilhar gostos, dificuldade em socialização, interesse por assuntos muito específicos e comportamento repetitivo.