Da Redação Ter , 28/01/2020 às 12:14 | Atualizado em: 28/01/2020 às 18:14

Exemplo de determinação: educadora baiana incentiva leitura em projeto infantil



O último censo divulgado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) sobre as condições de analfabetismo no Brasil ratificou os dados já registrados em pesquisas anteriores. O levantamento, realizado em junho de 2019, mantém a região Nordeste estagnada em último lugar na taxa de pessoas alfabetizadas, de acordo com a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD).

Segundo a análise dos dados, apesar dos índices terem melhorado, o Brasil ainda convive com 11,3 milhões de analfabetos entre a população de 15 anos ou mais, o equivalente a 6,8% dessa população. O número está relacionado ao contexto analisado em 2018 e apresentou queda de 0,1% comparado a 2017, significando 121 mil analfabetos a menos.

Parte significativa desse processo, enfrentado principalmente pelas populações de regiões mais extremas do país, sobretudo no Nordeste, ocorre pela grave desigualdade social, o trabalho precoce para auxiliar na renda familiar e a falta de acesso à leitura. Em muitas residências brasileiras os livros ainda são escassos.

Protagonista do seu próprio destino, a formadora de docentes da rede estadual de ensino e mestranda em Ensino, pela Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia (UESB), Márcia Mendes teve acesso aos livros tardiamente. Apesar de não ter tido livros em casa, a graduada em Letras sempre foi uma apaixonada pelos escritos e cresceu motivada a modificar a realidade de muitos brasileiros por meio da leitura.

“Nasci em Catu, morei na cidade de São Sebastião do Passé e fui de uma família muito pobre, não tínhamos livros em casa. Apenas na escola eu tinha acesso a livros que poderia, esporadicamente, levar para casa. Graças a Deus, sempre tive o estímulo dos meus pais para estudar. Até hoje eu tenho o hábito de abraçar, beijar os livros, em uma atitude bem romântica com cada um deles”, conta.

Ciente da importância da educação como mecanismo de transformação social, Márcia criou, no ano de 2017, o projeto “Um livro para chamar de meu”. Durante os eventos infantis que participa, a educadora percebeu que muitas crianças, assim como ela na infância, não tinham livros. Comovida, ela criou uma ação em que recebe os exemplares de amigos, outros educadores e de editoras e os doa em escolas, feiras literárias e rodas de conversa.

“Eu recolho doações no trabalho, recebo de escritoras parceiras, livrarias, carrego dentro da bolsa e sigo distribuindo. Não existe um local específico. Entrego para as crianças em escolas e diversos lugares”, explica.

Convidada para realizar uma contação de histórias na rede de Educação Básica no mês de dezembro de 2019, na Escola Municipal Nova Brasília, em São Sebastião do Passé, Márcia Mendes irá retornar à unidade para fazer a entrega de muitos livros e, a pedido das próprias crianças, fará uma roda de diálogo sobre a consciência negra. Na oportunidade, a também escritora irá presentear as crianças com o seu mais novo título. A obra "A gata que não era xadrez" será lançada na abertura do semestre na UESB.

Além desta, Márcia tem outras duas obras já publicadas: "Dandara, cadê você?" e "Quem é Amora?". Em seus livros, a autora incentiva o protagonismo dos pequenos leitores. “Em todos os meus livros, priorizo espaço em branco para que eles possam reescrever a própria história, para que possam descobrir o seu potencial criativo e de escrita”, sugere a educadora, que defende uma educação mais lúdica, interativa e estimulante. “A essência do ato de aprender está na pergunta e não nas respostas”, conclui.

Fonte: Juliete Neves - Agência Educa Mais Brasil

 

A mestre em linguagens faz doação de livros para combater o analfabetismo.
A mestranda em Ensino faz doação de livros para combater o analfabetismo.