Sul Baiano

Da Redação Ter , 13/08/2019 às 08:53 | Atualizado em: 13/08/2019 às 08:56

Educadores indígenas participam de formação em Porto Seguro



Professores indígenas das redes estadual e municipais de ensino de Porto Seguro, Santa Cruz Cabrália, Prado, Belmonte e Itamaraju participam de uma formação continuada, ministrada por educadores da Fundação Getúlio Vargas (FGV). São 130 educadores indígenas de diferentes etnias, como Tupinambá, Pataxó e Guarani, envolvidos na capacitação, que segue até sexta-feira (16), em Porto Seguro, promovida pela Secretaria da Educação do Estado (SEC).

O professor Ronaldo Farias, que leciona na Escola Indígena Pataxó Boca da Mata, na aldeia Boca da Mata, considera que a atividade é fundamental para ampliar os conhecimentos dos educadores. “A formação vem nos ajudar a complementar os objetivos específicos e metodológicos na área da Educação, respeitando e valorizando os nossos costumes e tradições”. A formação, segundo o diretor de Educação Escolar Indígena de Porto Seguro, Rosimar Valério Kamayurá, servirá para o educador direcionar o aluno ao conhecimento. “Os professores que estão na base saberão qual a estratégia para se chegar ao sucesso de uma educação específica, de qualidade e diferenciada”, reforça.

Temas - Durante a capacitação serão discutidos temas relevantes e atuais para o processo de ensino e aprendizagem nas escolas indígenas, sendo fundamentada no fortalecimento do pertencimento étnico, na valorização dos conhecimentos tradicionais indígenas, nas visões de mundo e no acesso aos códigos, ciências e tecnologias da sociedade nacional, que possam subsidiar os projetos societários e indenitários nas escolas indígenas. O segundo módulo da formação continuada, em Porto Seguro, será de 9 a 13 de setembro e o terceiro, de 7 a 11 de outubro.

Os conteúdos da formação foram ressaltados pelo formador Iberê Guarani, da FGV: “Neste primeiro módulo, estamos abordando a construção e a visão colonial sobre o indígena. No segundo serão discutidas as experiências da Educação Escolar Indígena e, no terceiro, o tema central será a legislação relacionada à Educação Escolar Indígena, além do reconhecimento dos saberes ancestrais”. A atividade também ocorrerá nos polos de Itabuna e Paulo Afonso. 

A rede estadual de ensino conta, atualmente, com 6.765 estudantes indígena matriculados, em 27 escolas indígenas e 43 anexos, em todo o Estado, contemplando 16 etnias. A superintende de Políticas para a Educação Básica da SEC, Manuelita Falcão Brito, fala da importância da formação. “Associar o debate de currículo ao processo de acompanhamento pedagógico e à expansão do processo de avaliação é essencial. A formação vem trabalhar com a qualificação do nosso corpo docente, pois a Educação Indígena tem suas particularidades. A importância central disso é retomar e trazer os indígenas para junto deste debate, respeitando as especificidades e sem descuidar da qualidade social e da educação nos territórios com estes povos e etnias”, destaca a gestora.