A life coach Cecília Barretto sugere investir em autoconhecimento
Para muitos, o trabalho é apenas um fardo necessário para pagar as contas no fim do mês. Será que é possível, entretanto, enxergar a carreira como algo que traga satisfação pessoal, e não somente um contracheque?
Cecília Barretto, coach especializada em neurociência, acredita que a resposta é complexa. "Muitos profissionais podem ajudar, orientar, mas a responsabilidade pela escolha da carreira é da própria pessoa. Se for para investir em alguma coisa – tempo, energia –, invista em autoconhecimento. Quanto mais você se conhece, mais fácil tomar decisões", avalia a especialista.
Para Bianca Moreira, 29, o autoconhecimento foi essencial para escolher a carreira certa. Formada em administração, ela se mudou para Toronto, no Canadá, no ano passado, para cursar uma pós-graduação na área. Após iniciar o curso, surgiram dúvidas sobre a escolha, o que a levou a fazer sessões de coaching com Cecília.
"Eu tinha a tendência de olhar para fora para procurar oportunidades. Cecília me deu várias ferramentas para que eu olhasse para dentro, para o que eu tinha de forças, o que eu gostava, para procurar o que eu queria fazer", diz Bianca, que acabou migrando para a área de marketing digital, na qual já tinha experiência no Brasil. Com o fim do curso, ela agora busca emprego no Canadá.
Denide Pereira, conselheira da Associação Brasileira de Recursos Humanos na Bahia, ressalta que é importante pensar nas prioridades na hora de decidir o rumo profissional. "A pessoa pode pensar 'eu quero ter sucesso', mas o que significa sucesso?", questiona. "Uma carreira X pode estar dando mais dinheiro, mas a que preço? A pessoa terá que abrir mão do tempo com a família, terá que viajar, então pode estar preenchendo somente o aspecto financeiro. É preciso que as outras áreas estejam em equilíbrio", diz.
Para a conselheira, o segredo está em "integrar o que você ama fazer, aquilo no que é bom, com algo que as pessoas precisam e que pode gerar ganhos", opina.
Hora de mudar
Na hora de mudar de área, o planejamento é a base de tudo. Para Delson Teixeira, instrutor de gestão no Senac, é necessário conhecer o novo mercado em que se pretende atuar. "É preciso identificar se há espaço para a pessoa se inserir, se não vai ser só mais uma", diz.
Cecília recomenda criar um "horizonte de tempo com suas expectativas. Se você precisa de oito meses de sustento financeiro para mudar de área, esse planejamento é essencial, pois facilita a execução [da mudança]", diz.
Delson sugere identificar as próprias competências e habilidades, para além das qualificações formais. "Às vezes eu tenho uma determinada competência, ou seja, estudei para aquilo, fiz o curso teórico, mas não tenho a habilidade, a prática", explica.
No caso de Davi Torres, 38, especialista em marketing digital, não foi a falta de habilidade que o fez mudar de carreira: foi a saturação do mercado na antiga área.
Atuando em tecnologia da informação há 20 anos, Davi trabalhava em um órgão da prefeitura de Salvador antes de ter que se mudar para Aracaju. Lá, vendo a escassez de empregos no ramo, decidiu empreender.
"Eu não estava insatisfeito com o meu emprego antigo, mas a área [de TI] está muito abarrotada, o que faz os salários diminuírem. Além disso, com a crise, ninguém está contratando", diz. Davi abriu a própria empresa online, a Yellow Rocket Marketing Digital, há cerca de quatro meses.
"Abrir a empresa me deu a oportunidade de crescer com o que eu desenvolvo, ser mais livre. Não voltaria para o mercado tradicional", afirma.
*Sob supervisão da editora Cassandra Barteló