Metropolitana

Rodrigo Tardio Ter , 21/09/2021 às 14:58 | Atualizado em: 21/09/2021 às 16:30

População de Catu pede retorno de padre afastado da Paróquia Senhora Santana



Um caso inusitado vem mexendo com a população de Catu, Região Metropolitana de Salvador. Desde o mês de janeiro deste ano à frente da Paróquia Senhora Santana, localizada no município, o Padre Fernando Silva, de repente, se viu obrigado a renunciar ao posto, além de receber uma ordem de despejo, que de acordo com parte dos fiéis foi organizada por membros da própria igreja local, por intermédio da Diocese de Alagoinhas.

A professora Ediléia Carvalho, que atua com trabalho voluntário e ajuda em ações da igreja, diz que nem todas as regras que se referem ao clero são conhecidas pelos fiéis. Ela conta que, durante uma missa, o pároco fez homenagem aos leigos, e no momento de entrada da igreja, Padre Fernando decidiu homenagear estas pessoas, momento no qual permitiu que alguns ministros fizessem parte da leitura eucarística.

"Algumas pessoas que foram contra ao ato pediram o afastamento do padre, embora a gente não soubesse que essa atitude seria um crime dentro da igreja", disse.

Ediléia relata ainda que Padre Fernando vinha fazendo muitas melhoras na Paróquia, além de achar injusta a ordem de despejo, recebida no último dia 31 de agosto, com o prazo de saída para até às 5h da tarde do mesmo dia.

"A missa dele estava sendo excelente e muito alegre. Com isso conseguiu atrair diversas pessoas que já tinham se afastado da Igreja e deixaram até de dar o dízimo. Foi injusta a forma com que ele deixou a cidade. A maioria estava feliz com o trabalho dele, assim como crianças e jovens, todos empolgados com as mudanças que ele vinha fazendo, Mas Padre Fernando incomodou algumas pessoas que não aceitavam até mesmo a reforma na casa paroquial", completou.

Para o comerciante Antonio Augusto de Carvalho Gomes, também fiel da Paróquia, o ato contra Padre Fernando foi "desumano".

"Quando Fernando chegou aqui em Catu eu estava afastado da igreja. O padre João, que antecedeu Padre Fernando, tinha um perfil diferente, por ser uma pessoa mais idosa. Fernando chegou e revolucionou a igreja, organizando às coordenações de serviços financeiro e administrativo e deu total transparência ao prestar contas na missa a cada final de mês. O grande problema é que existe uma panelinha que quer mandar na igreja", afirmou.

Movimento 'Somos todos Padre Fernando'

No último dia 02 de setembro, foi criado o movimento 'Somos todos Padre Fernando'. Nesta quinta-feira, 23, parte da população prometeu ir às ruas. De acordo com Antônio Augusto, pelo menos 300 veículos devem participar de uma carreata.

"Tenho um abaixo-assinado com 700 assinaturas. Existe outra instituição com umas 4 mil. O que aconteceu foi uma injustiça", relembrou Augusto.

Na última quarta-feira, 9, o grupo enviou à Dom Giambattista Diquattro, Núncio Apostólico do Brasil; ao Cardeal Dom Sérgio da Rocha, Arcebispo de São Salvador da Bahia e Primaz do Brasil; e a Diocese de Alagoinhas, que atende a paróquia de Catu, uma carta de apoio ao Padre Fernando, pedindo um julgamento mais justo e o retorno do pároco ao município.

Diocese de Alagoinhas

De acordo com Tiago Mercês, da Pastoral de Comunicação da Diocese de Alagoinhas, que responde pela município de Catu, em uma das missas Padre Fernando delegou aos "leigos", que são os frequentadores comuns, para realizarem as orações. Isso, de acordo com a Igreja Católica, fere o Código Canônico. A partir daí, houve denúncias nas redes sociais.

Os bispos da região solicitaram um inquérito administrativo. O atual administrador diocesano, Padre Antônio Ederaldo de Santana, que substitui o ex-bispo Dom Paulo Romeu Dantas Bastos, atual bispo da Diocese de Jequié, indicou que Padre Fernando renunciasse.

"Tudo isso foi pelo grave fato de que Padre Fernando permitiu que partes da missa, que eram destinadas para serem feitas por padres ou bispos, ficasse na condução de pessoas leigas, ou seja, fiéis que frequentam a igreja, a proferirem a oração eucarística", explicou Tiago Mercês.

Padre Fernando apresentou a renúncia junto com um pedido de perdão, feito em carta. Ainda de acordo com fiéis que desaprovam a saída, Fernando, desde que chegou, encontrou uma paróquia sem a participação efetiva da comunidade, o que teria começado a incomodar aos que estavam, antes da chegada, à frente das atividades e serviços da igreja.

Padre Fernando preferiu não se pronunciar sobre o fato, já que segue orientações da própria Diocese de Alagoinhas.