Nordeste Baiano

Miriam Hermes Qua , 27/10/2021 às 22:06 | Atualizado em: 27/10/2021 às 22:10

Protesto impede circulação de ônibus em Feira de Santana



O protesto dos moradores de diversas comunidades rurais de Feira de Santana impediu a circulação, nesta quarta-feira, 27, dos ônibus da empresa Rosa, deixando parte das 109 linhas municipais sem o serviço de transporte público. O protesto foi motivado pela desativação por parte da empresa, de quatro linhas que atendem a zona rural desde a semana passada. 

Para prover os moradores do serviço, veículos do transporte alternativo complementar foram disponibilizados, mas os manifestantes disseram que não atendem às suas demandas. Conforme os moradores das linhas atingidas, só os ônibus da empresa que tem a concessão pública recebem cartão Via Feira, aceitam cartão do idoso e de pessoas com deficiências, atendendo ao direito gratuidade. 

Eles também reclamaram que os alternativos e complementares não oferecem o serviço nos finais de semana e tem rotas diferenciadas, fora do trajeto regular dos ônibus da concessionária que tem contrato com o município desde 2016.

“Lamentável que nós usuários tenhamos que pagar com a falta de transporte público com frequência, por problemas dentro das empresas que tem a concessão para prestar este serviço”, afirmou a professora Janine Medeiros. Ela disse que compreende a necessidade dos moradores da zona rural, “mas isso deve ser resolvido pelos órgãos competentes. Nós temos o direito a este serviço e é obrigação das empresas selecionadas para fim e do município que seja oferecido regularmente”, reclamou.

Já na segunda-feira, outra parte dos usuários de Feira de Santana amanheceram sem transporte público, porque motoristas e cobradores da empresa São João fizeram um protesto cobrando pagamento de salário. No entanto, assim que confirmaram o recebimento em suas contas, os funcionários da empresa começaram a circular. 

O secretário municipal de Transporte e Trânsito, Saulo Figueiredo, afirmou que o município solicitou, ainda na semana passada à empresa Rosa o retorno dos coletivos às quatro linhas desativadas, mas não foi atendido. “Recorremos então à Justiça e estamos aguardando a decisão judicial sobre a questão”, destacou, explicando que o transporte alternativo e complementar foi disponibilizado nestas linhas para que os usuários não ficassem sem opção.

Justiça

Figueiredo acrescentou que nesta quarta buscou diálogo com os manifestantes, mas não foi correspondido, e que quando  recorreu à Justiça “para garantir o direito dos demais usuários do município que também dependem do transporte público”, justificou.

Ainda na tarde desta quarta o juiz da 2ª Vara da Fazenda Pública, Nunisvaldo dos Santos, determinou a suspensão imediata do bloqueio dos portões da garagem da empresa Rosa por parte dos manifestantes, para que os ônibus voltassem a circular. 

Entretanto, até o início da noite, eles não tinham acatado a decisão judicial, que prevê multa diária de R$ 5 mil, sujeita à majoração e à responsabilidade civil, penal e administrativa dos responsáveis pelo movimento. A reportagem tentou contato telefônico com a empresa Rosa para falar sobre a suspensão, desde a semana passada das quatro linhas que atendem a zona rural. No entanto, não obteve retorno.